São Patrício.



17 de Março    –    São Patrício





São Patrício, o “Apóstolo da Irlanda”, nasceu na Inglaterra, numa rica família romanizada, provavelmente entre os anos 385 e 390. Com a idade de 16 anos foi capturado por um grupo de piratas irlandeses, levado para a Irlanda e vendido como escravo a um chefe de clã irlandês.

Nesse país ele viveu seis anos, sofrendo fome e nudez e trabalhando como guardador de porcos. Durante esse período aprendeu a língua e assimilou os costumes dos habitantes do lugar, mas sobretudo aprendeu a amar, como seu, aquele povo. Certo dia, animado por um sonho que teve, mas sem dinheiro para a passagem, procurou alguns marinheiros de um navio, contou-lhes sua história, e eles, embora pagãos, se comoveram e o transportaram para sua terra.

Atendendo à inspiração de uma voz interior que lhe dizia que ele devia levar a fé cristã aos irlandeses, São Patrício atravessou novamente o mar e foi para a França a fim de estudar teologia sob a orientação de São Germano. Foi ordenado diácono, e depois o próprio São Germano lhe conferiu a sagração episcopal. Durante algum tempo trabalhou em seu país, mas depois, a pedido seu, foi enviado pelo próprio Papa de volta à Irlanda. Tinha então 50 anos de idade.

A história da conversão da Irlanda gira inicialmente em torno das conversões operadas entre os familiares e chefes dos clãs, que exerciam o poder de modo absoluto sobre seus grupos. São Patrício fundou mosteiros que se tornaram verdadeiros centros de evangelização e cultura, incentivou e formou um clero local, criou pequenas comunidades e organizou um tipo de pastoral adaptada aos costumes e tradições populares do país. Os irlandeses, tocados pelo carinho e dedicação de São Patrício, converteram-se em grande número. Ao morrer, 30 anos mais tarde, por volta do ano 461, quase toda a Irlanda já se havia convertido.

Embora de São Patrício até nossos dias mais de 15 séculos se tenham passado, sua experiência missionária chega até nós com a mesma força e vigor. Com ele aprendemos que o missionário autêntico é transparente, paciente, simples, humilde, compartilha dos sentimentos e emoções do povo, não se considera representante de uma cultura superior, mas valoriza e se identifica com a cultura do povo que adota. O verdadeiro missionário não procura mudar o povo, mas apenas amá-los em nome de Deus, porque ele sabe que só o amor muda, só o amor converte.

Fonte: Zélia Vianna. Santidade Ontem e Hoje (2005). Salvador: Paróquia de São Pedro


Oração de

São Patrício





Card. Odilo P. Scherer fala sobre a Pedofilia.

As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca… A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de S.Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.


As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.

O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.

Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!

Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?

As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse S.Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!

A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.

E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.

Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo

PEDÓFILOS ESTÃO FORA DA IGREJA, Enfim a frase que todos esperavam!

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“Os pedófilos serão totalmente excluídos do sacerdócio”, assegurou o Papa…”

A BORDO DO VÔO PAPAL – Bento XVI confirmou que fará todo o possível para que não se repitam os casos de sacerdotes pedófilos, os quais feriram a Igreja Católica nos Estados Unidos.

English Text in zenit.org

Os pedófilos serão totalmente excluídos do sacerdócio“, assegurou o Papa em uma coletiva de imprensa com os 70 jornalistas que o acompanhavam no Boeing 777 de Alitália, para Washington.

Bishops listen as Pope Benedict XVI addresses the U.S. hierarchy in the crypt church of the Basilica of the National Shrine of the Immaculate Conception April 16 in Washington.

CNS | NANCY WIECHEC

“Nós nos envergonhamos profundamente e faremos todo o possível para que isso não se repita no futuro”, disse.

O Santo Padre assegurou que a Igreja procurará selecionar os candidatos ao sacerdócio “de maneira que só as pessoas verdadeiramente íntegras possam ser admitidas. É mais importante ter bons sacerdotes que ter muitos sacerdotes”, sublinhou.

“Quando leio as histórias dessas vítimas, para mim é difícil compreender como foi possível que os sacerdotes tenham traído dessa forma sua missão de dar o amor de Deus a essas crianças”.

O Papa respondeu a cinco perguntas dos jornalistas durante aproximadamente 20 minutos, e nelas, como confirma “L’Osservatore Romano”, o jornal da Santa Sé, antecipou os temas que tratará em sua viagem aos Estados Unidos.

Click here for the Florida Catholic's Web Special coverage of Pope Benedict XVI's Journey to the United States.

Destacou o caráter eminentemente religioso e pastoral de sua viagem, suas esperanças para seus encontros com os católicos norte-americanos, com representantes judeus e de outras Igrejas e confissões cristãs, a visita às Nações Unidas no 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos.

Por último, analisou a crescente presença nos Estados Unidos de imigrantes procedentes de países da América Latina, sublinhando que sua presença representa um desafio para a Igreja, chamada a acompanhá-los com grande solicitude pastoral, com a consciência do risco de desagregação que suas famílias correm.

Fonte: www.zenit.org