Esclarecimento sobre a Polêmica ocorrida na Missa de Paulo Goulart.



Padre Fábio de Melo Celebrou a Missa de 7º dia de Paulo Goulart e emociona Nicette Bruno, porém após a Santa Missa veio a polêmica sobre a Comunhão recebida pela viúva Nicette Bruno.

Afinal, Poderia ela ter recebido a comunhão ou não?


Outros titulos com Fabio de Melo

ESCLARECIMENTOS SOBRE A POSTAGEM DO PADRE FÁBIO DE MELO ENTREGANDO A SAGRADA COMUNHÃO A ATRIZ NICETTE BRUNO, ESPOSA DO FALECIDO PAULO GOULART.

Ontem 20/04 os seguidores de nossa página, Sou feliz por ser Católico(a), depararam-se com uma postagem “polêmica” (polêmica apenas para aqueles que aceitam o Espiritismo como algo bom): Uma foto (parecida com a imagem acima) da atriz Nicette Bruno recebendo a Santíssima Eucaristia das mãos do padre Fábio de Melo. Porém, existe um problema: a atriz não poderia receber a Eucaristia. Mas, por que?

Antes de responder a esse questionamento deixamos claro que não é nenhuma crítica ao servo de Deus, o padre Fábio de Melo, a quem admiramos muito, nem a atriz Nicette Bruno de fama reconhecida nacionalmente, e sim, ao fato e a doutrina espírita. Responderemos a postagem em ‘partes’:

1) Nicette Bruno é de fato, espírita?

Sim, a atriz Nicette Bruno, como seu falecido marido, Paulo Goulart sempre foram espíritas, inclusive criaram seus filhos nessa doutrina. Vários meios de comunicação comprovam que eles são de fato espíritas, tais como:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/03/reveja-trajetoria-profissional-do-ator-paulo-goulart.html(G1)

http://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2014/03/relembre-entrevista-em-que-nicette-bruno-fala-sobre-paulo-goulart-vida-nao-termina-na-tumba.html (REVISTA QUEM)

2) O que diz a Santa Madre Igreja sobre o Espiritismo?

No Catecismo, no parágrafo 2117 a Igreja declara: “Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitimas nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia.”

(*1). observação abaixo

4) O que diz a Sagrada Escritura sobre o Espiritismo?

No Livro de Levítico diz: “…Se alguém se dirigir aos espíritas ou adivinhos para formicar com eles, voltarei meu rosto contra esse homem e o cortarei do meu povo” (Levítico 20,6). O Livro de Levítico foi escrito a 2.399 anos atrás, antes mesmo de Cristo nascer, e desde desse tempo o Espírito Santo já nos alertava contra a prática de espiritismo.

“… Não se ache no meio de ti, quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê a adivinhação, a astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou a invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abominará aqueles que se dão a essas práticas…” (Deuteronômio 18,10-12).

Veja, que Deus, em Sua Palavra condena totalmente o Espiritismo.

3) O Espiritismo é Cristão?

Não! São Paulo nos explica em sua carta aos Efésios que “É pelo sangue de Jesus Cristo que temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza de Sua graça que Ele derramou profusamente sobre nós” (1,7). A Nossa Redenção se deve pela Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, isso é outra verdade fundamental da Fé Cristã. Nisto consiste propriamente a boa nova. Porém, o Espiritismo nega isso. Allan Kardec (o fundador da doutrina espírita) diz que cada um deve ser SEU PRÓPRIO REDENTOR através do sistema de reencarnações. Além disso, o espiritismo nega a criação da alma humana, recusa a união substancial entre corpo e alma, afirma que não há anjos e demônios, repudia os privilégios de Maria Santíssima, não admite o pecado original, contesta a graça divina, abandona toda a doutrina sobrenatural, rejeita a unicidade da vida humana terrestre, ignora o Juízo particular depois da morte, não concebe a existência do Purgatório, ridiculariza o Inferno, reprova a ressurreição da carne e desdenha o Juízo Final. No livro “À Margem do Espiritismo” (FEB, 3ª edição, 1981, pág. 214), do espírita Carlos Imbassahy, lemos: “Nem a Bíblia prova coisa nenhuma, nem temos a Bíblia como probante. O espiritismo não é um ramo do cristianismo como as demais seitas cristãs. Não aceita os seus princípios nas Escrituras. Não rodopia junto à Bíblia. A discussão, no terreno em que se acha, seria ótima com católicos, visto como católicos e protestantes baseiam seus ensinamentos nas Escrituras. Mas a nossa base é o ensino dos espíritos, daí o nome espiritismo.” O espiritismo nega dezenas de verdades cristãs proclamadas ao longo dos séculos. Eles negam até mesmo a Palavra revelada por Deus: a Bíblia.

4) Por fim, um Espírita pode receber a Sagradíssima Eucaristia?

Vejamos, primeiramente, o que diz a santa madre Igreja em seu Catecismo:

“A NINGUÉM É PERMITIDO PARTICIPAR DA EUCARISTIA, SENÃO ÀQUELE QUE, ADMITINDO COMO VERDADEIROS OS NOSSOS ENSINAMENTOS e tendo sido purificado pelo batismo para a remissão dos pecados e a regeneração, levar uma vida como Cristo ensinou.” (CIC 1355).

Além disso, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), EM 1953 reafirmou a determinação feita pelo Episcopado Nacional da Pastoral Coletiva de 1915, revista pelos Bispos em 1948 nestes termos: “Os espíritas devem ser tratados, tanto no foro interno como no foro externo, COMO VERDADEIROS HEREGES e fautores de heresias e NÃO PODEM SER ADMITIDOS À RECEPÇÃO DOS SACRAMENTOS, sem que antes reparem os escândalos dados, abjurem o espiritismo e façam a profissão de Fé”.

O Código de Direito Canônico, editado pelo Beato João Paulo II em 1983 também diz sobre esses casos: “chama-se heresia A NEGAÇÃO pertinaz, após a recepção do Santo Batismo, DE QUALQUER VERDADE QUE SE DEVE CRER COM FÉ DIVINA E CATÓLICA, ou se duvida pertinazmente a respeito dela” (Cân. 751);

O cânon 1364, parágrafo 1 do Código de Direito Canônico (CDC) determina que o “herege incorre automaticamente em excomunhão”, isto é: DEVE SER EXCLUÍDO DA RECEPÇÃO DOS SACRAMENTOS (Cân. 1331, parág. 1), não podem ser padrinhos de Batismo (Cân. 874), nem da Confirmação (Cân. 892) e não lhe será lícito receber o Sacramento do Matrimônio sem licença especial do Bispo (Cân. 1071) e sem as condições indicadas pelo Cânon 1125. Também não pode ser membro de associação ou irmandade católica (Cân. 316).

O Código de Direito Canônico afirma que todo aquele que nega uma verdade que se DEVE crer como fé divina é herege, e toda a doutrina que é contra a Católica, que foi revelada por Cristo é uma heresia. O CDC afirma que todo o herege sofre automaticamente a excomunhão, por isso devem ser excluídos da recepção dos Sacramentos, inclusive a Eucaristia.

5) Conclusão

Nicette Bruno jamais poderia ter recebido a Sagrada Comunhão, pois como bem o Catecismo destaca só se pode receber o Corpo, Sangue, Alma e Divindade (Eucaristia) de Cristo aquele que estiver em estado de graça e CRER FIEL E FIRMEMENTE em TUDO o que a Igreja ensina. A atriz é espírita, portanto aceita uma heresia, já que o Espiritismo é condenado por Deus e pela Igreja. Como já bem mostramos acima o Espiritismo nega todas as Verdades ensinadas por Cristo. E, todo aquele que à aceita, como bem destacado pela CNBB é um herege, pois é uma doutrina anti-cristã. E um herege, “incorre automaticamente em excomunhão”, afirma o Código de Direito Canônico.

Resumindo: a atriz não poderia receber a Eucaristia pois o Catecismo afirma que só aquele que crê nos ensinamentos da Igreja pode recebe-lA. E o Espiritismo nega até mesmo a Bíblia; tudo o que é Cristão o Espiritismo nega. O Cristão crê, como diz no Credo “na ressurreição da carne, na vida eterna. Amém”. Enquanto os espíritas creem na reencarnação, doutrina condenada por Deus Todo-Poderoso.

Por fim, declaramos novamente que o artigo não é uma crítica ao padre nem a atriz, mas foi um alerta a todos os católicos para que se distanciem da doutrina Espírita, que nos afasta de Cristo e nos leva a um mundo de ilusão, como se a vida fosse um vídeo game, onde toda vez que desse um “game over” poderíamos começar tudo de novo. O que é falso e contrário ao que foi pregado por Cristo.

Nós, como cristãos não podemos julgar nenhuma pessoa, independente de religião. Nós devemos acolhe-las e rezar pela conversão das mesmas. E mostra-las que Cristo fundou uma só Igreja que contém toda a Verdade necessária para a nossa Salvação, e ela possui um nome: Católica Apostólica Romana. Não devemos criticar e julgar as pessoas, mas isso não quer dizer que não podemos mostrar que as outras religiões são falsas e contrárias a Doutrina que foi ensinada por nosso Pai. É uma OBRIGAÇÃO de todo o Cristão de mostrar que tudo o que é contrário a fé Católica é condenado por Deus. Se não o fizermos, pecamos, pois omissão é um pecado grave.

Rezemos pela conversão de todos os espíritas, muçulmanos, protestantes, judeus, ateus, hinduístas, budistas, etc, para que eles deixem suas religiões que são frutos da mente humana e voltem a sua Mãe, a Igreja que Cristo edificou sobre Pedro, o primeiro Papa [cf. Mt. 18,16]

Para maiores esclarecimentos recomendamos os seguintes vídeos do Padre Paulo Ricardo:

Quais as consequências de se crer na reencarnação?

http://www.youtube.com/watch?v=SVwugmbmKhA

O Espiritismo é cristão?
http://www.youtube.com/watch?v=rvCrBbBe5NE

“Não pode ter Deus por Pai, como não tem a Igreja por Mãe” (São Cipriano). A Igreja é nossa Mãe, e nós somos Seus filhos. Como Maria Santíssima ensinou ao Cristo, e Ele acolheu todos os seus ensinamentos, pois sabia que era para Seu bem. Também, nós, devemos acolher os ensinamentos da santa mãe Igreja, que se preocupa com seus filhos e faz de tudo para afastar-nos das trevas, e levar-nos ao Caminho da Salvação eterna. TUDO o que a Igreja ensina é para nosso bem e nossa Salvação, sejamos obedientes a nossa mãe Igreja, bem como Cristo foi obediente a Sua mãe, Maria Santíssima.

Deus os abençoe,
Equipe Sou feliz por ser Católico(a).

Fonte:
https://www.facebook.com/298547506887616/photos/a.298549123554121.67215.298547506887616/634948583247505/?type=1&theater

Nosso Blog Presentepravoce preferiu deixar apenas este esclarecimento se atendo apenas aos fatos sem julgar as pessoas envolvidas como outros Blogs o fazem até mesmo proferindo palavras indesejáveis, tanto porque não foram ouvidas nenhuma das partes envolvidas no episódio.

Quem vê cara não vê coração, o que se vê na TV ao vivo não mostra os bastidores e não temos conhecimento a respeito dos fatos que levaram à realização de uma Missa de Sétimo dia envolvendo uma pessoa que não professaria a nossa Fé enquanto estava viva ou se esta posição teria sido alterada antes  do episódio ocorrido.


(*1). obs. sobre o paragrafo 2117.

Este Texto é parte integrante do C.I.C. Catecismo da Igreja Católica que tem por objetivo nortear o caminho dos Católicos em sua Vida espiritual enquanto estão a caminho rumo à Salvação.

O texto é um resultado de estudos e deliberações dos Sínodos dos Bispos que se reúnem com o objetivo de rezar e escutar a Palavra de Deus e qual seja a sua vontade para seu povo com o objetivo de traçar a melhor maneira de conduzir este rebanho com o minimo de perdas pelo caminho.

Sempre existiram muitas ameaças ao povo de Deus nesta terra como nos alertou Jesus e os Apóstolos, pois são semelhantes a ovelhas que facilmente são arrebatadas pelos predadores deste mundo tenebroso e nos tempos modernos as ameças se tornaram também ideologias e se mostram através de desvios doutrinários que culminam na divisão do rebanho e no afastamento de suas ovelhas, ovelha afastada do rebanho é considerada ovelha perdida, doente, machucada e correndo risco de morte.

Os estudos dos diversos perigos doutrinários presentes em diversas partes do mundo com ocorrências nem sempre equivalentes em regiões diferentes levaram ao texto completo citado no Link do Vaticano e este paragrafo em copiado aqui enumera diversos destes erros onde entre eles consta o espiritismo, não que esta variação local do espiritismo pratique tudo o que está escrito neste paragrafo, pois o texto abrange muito mais do que uma certa área determinada e sim é direcionado ao mundo todo como um resumo geral.   Cada nação, língua, pais e Diocese deveria aplicar o texto conforme a necessidade de sua região e por esse motivo este texto foi usado, pois é nele que cita a situação necessária a ser observada, pois como está incluído neste paragrafo 2117 a Igreja não aconselha a participação de um fiel Católico no espiritismo, seja ele de qual ala pertença e assim como também não aconselha as demais praticas citadas no mesmo paragrafo, quanto a sensação de se ver uma acusação direta e por isso manifestar uma discordância da veracidade do texto não se justifica caso não pratiquem tais desvios, não seria isto motivo de indignação, pois não se trata de acusações à uma determinada filosofia ou religião e sim de precauções a serem tomadas por todo fiel Católico para não se contaminar com doutrinas não recomendadas por sua Igreja. 


HISTÓRIAS DO PADRE LEO
Outros titulos com Fabio de Melo
http://mongefiel.files.wordpress.com/2008/05/dons-do-espirito.jpg
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E o Verbo se fez Carne.


EOVerboSeFezCarne[1]


A PALAVRA DE DEUS NA VIDA DO CRISTÃO

Pe. Françoa Costa

1. Vamos por um momento pedir permissão às três Pessoas da Santíssima Trindade para ver algo desse grande Mistério. O Pai desde toda a eternidade gera o Filho. Neste exato momento, se nos é permitido falar assim, o Pai gera o Filho, que já foi gerado, já está gerado e não precisa de nenhuma perfeição posterior nessa geração. Grande mistério! Lembremo-nos, portanto, que estamos no âmbito da eternidade, onde não há passado nem futuro, tudo é um eterno presente.

O Evangelho Segundo São João começa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.”“No princípio, Deus criou o céu e a terra”(1,1). Como Deus criou? Com sua Palavra: “Deus disse” (1,3). Dessa maneira vemos que a Palavra de Deus, o Verbo de Deus, já se encontrava presente na criação do mundo. O mesmo São João continua a dizer o seguinte em seu prólogo: “Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.” (1,3) (1,1) Essa narração nos lembra aquela outra do primeiro livro do Antigo Testamento, o Gênesis:

Aquele que já estava presente no seio do Pai desde toda a eternidade, que se encontrava na criação do mundo, veio a este mundo em carne mortal na plenitude dos tempos (cf.Gl 4,4). Por que? São João responde: “Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eternal.” (3,16). Para que tivéssemos vida eterna, isto é para que participemos da intimidade de Deus pela graça agora, pela visão da glória mais tarde.

“E a Palavra [o Verbo] se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Já que habitou entre nós, precisamos aprender essa Palavra. O que eu quero dizer é que a Palavra de Deus não é em primeiro lugar a Bíblia, a Palavra de Deus é o próprio Jesus Cristo. O título dessa palestra é “a Palavra de Deus na vida do cristão”, mas poderia ter o seguinte sinônimo “Jesus Cristo na vida do cristão”. Ele é a Palavra eterna do Pai que desceu do céu e se encarnou no seio de Maria Virgem.

2. A Bíblia é a Palavra de Deus porque nele encontramos Jesus Cristo, toda a Sagrada Escritura fala de Cristo, se assim não fosse não teria nenhum interesse para nós a não ser enquanto um simples livre edificante. Todo o poder da Sagrada Escritura vem de sua referência a Cristo. Também o Antigo Testamento fala de Cristo enquanto que é preparação para a vinda do Messias.

A Sagrada Escritura é, portanto, muito importante. Esta tem um significado especial quando nós a escutamos dentro da liturgia da Igreja. Diz a Intrução Geral do Missal Romano: “Quando se lêem as Sagradas Escrituras, o próprio Deus fala ao seu povo, e Cristo, presente em sua palavra anuncia o Evangelho” (nº29). Consequência prática: “escutar com veneração as leituras da Palavra de Deus”(id.). Outra consequência é que o leitor precisa ler bem para que a assembléia entenda o texto sagrado. Esse texto da Instrução também explica porque só o diácono ou o sacerdote lêem o Evangelho: é Cristo quem anuncia. A especial configuração com Cristo que confere o Sacramento da Ordem capacitam o diácono e o presbítero para a proclamação do Evangelho.

Ainda que a Bíblia proclamada na Igreja seja muito importante, não podemos menosprezar a leitura orante e pessoal da Escritura Santa que todos nós devemos cultivar a diário. Conselho prático: 5 minutos diários de leitura da Bíblia com a meta de ler toda a Bíblia.

Como entenderam durante tantos anos de história a Sagrada Escritura? Alguns momentos importantes:
– Como os Padres da Igreja a entenderam? tinham como princípio fundamental que é preciso ler a Escritura com o mesmo espírito com que foi escrita. Esta idéia se encontra no Concílio Vaticano II. Assim como o Espírito Santo assistiu o escritor sagrado (hagiógrafo), assim também assegura o entendimento mais profundo do texto por parte dos leitores subsequentes. Os Padres da Igreja tinham uma leitura sapiencial
da Sagrada Escritura, degustavam-na, praticavam a “ruminatio Scripturae”, davam voltas aos textos saboreando-os, faziam muitas conexões entre várias passagens.

– Como os medievais a entenderam? concentraram-se sobretudo no desenvolvimento da doutrina dos sentidos da Escritura. “A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” (CCE 118). O Catecismo se refere a esse tema a partir do número 115. Fala, primeiramente, do sentido literalsentido spiritual (graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que ele fala, podem ser sinais). O sentido espiritual pode ser: 1) alegórico (ver os significados dos acontecimentos em Cristo; ex.: a travessia do mar vermelho é um sinal da vitória de Cristo, e também do Batismo); 2) moral3) anagógico (podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna, conduzindo-nos à nossa Pátria; a Igreja na terra, dessa maneira, é sinal da Jerusalém celeste). (o sentido significado pelas palavras e descoberto pela correta interpretação, que tem suas regras, e que depois as veremos; todos os sentidos da Escritura devem ter seu fundamento neste) e do (os acontecimentos relatados na Sagrada Escritura devem conduzir-nos a um justo agir);

– A Reforma Protestante introduz uma tensão entre a compreensão pessoal e o texto em si mesmo. Falta, neste caso, uma mediação da Igreja, que ajude a armonizar os dois fatores. No protestantismo há uma interpretação pessoal e individualista da Sagrada Escritura, o que contribui enormente para que haja tantas comunidades, cada uma com a Bíblia, cada uma com interpretações divergentes.

São Agostinho tem uma frase muito bela que nos mostra a importância da Igreja na adesão à Escritura Santa: Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas – Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica.

E quais são os critérios para uma correta interpretação da Bíblia? Diz o Catecismo (a partir do nº 109) que na Sagrada Escritura Deus fala aos homens à maneira dos homens.intenção dos autores sagrados, para isso há que levar em consideração as condições da época e da cultura deles, os gêneros literários em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e narrar. Para uma interpretação conforme o Espírito que inspirou a Escritura o Concílio Vaticano II dá três critérios: 1) prestar muita atenção ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira (não se pode pegar um versículo e isolá-lo do todo, isso fazem os protestantes), a Bíblia é una por causa da unidade do projeto de Deus, do qual Jesus Cristo é o centro e o coração, daí que os Evangelhos sejam também o centro e o coração das Escrituras; 2) ler a Escritura dentro “da tradição viva da Igreja inteira”, já que a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus e é o Espírito Santo que dá à Igreja a interpretação espiritual da Escritura; 3) estar atento “à analogia da fé”, por analogia da fé entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação, sendo assim não pode haver nunca uma contradição entre o que se lê na Bíblia com alguma verdade que a Igreja firmemente crê. Precisamos portanto descobrir a

3. “São João Crisóstomo chama as Sagradas Escrituras de cartas enviadas por Deus aos homens… São Jerônimo exortava a um amigo seu que lesse as divinas Escrituras com frequência e que nunca abandonasse tal leitura.
“O Concílio Vaticano II recomenda insistentemente a leitura assídua da Sagrada Escritura para que adquiram a ciência suprema de Jesus Cristo (Fl 3,8), pois desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo (S.Jerônimo)” (Antologia de Textos, pág.1308). Aconselho a que façam a experiência pessoal de ouvir ler a Sagrada Escritura ou de escutá-la na Sagrada Liturgia com espírito orante e, a continuação, se estiverem na Santa Missa, a fazer da homilia um momento de oração, de conversa com Deus.

Diz São Tomás de Aquino que “depois que uma pessoa estuda a Escritura torna-se uma pessoa sensível, ou seja, adquire o discernimento e o gusto da razão para distinguir o bem do mal, o doce do amargo”. Para amar a Cristo há que conhecê-lo. Ninguém ama aquilo que não conhece. O amor cresce à medida que nós conhecemos mais. Ainda que também é verdade que o próprio ato de amar dá um conhecimento que nós podemos chamar sapiencial porque é cheio de sabor. Dessa maneira, há que conhecer para amar e há que amar para conhecer mais ainda.

“São Paulo dizia aos primeiros cristãos: A Palavra de Deus é viva e eficaz… é sempre atual, nova para cada ser humano, nova a cada dia, e, além do mais, é palavra pessoal porque vai destinada expressamente a cada um de nós… Jesus Cristo continua a falar-nos. Suas palavras, por ser divinas e eternas, são sempre atuais. Ler o Evangelho com fé é crer que tudo o que lá se diz está, de alguma maneira, acontecendo agora. É atual a ida e a volta do filho pródigo; a ovelha que anda perdida e o pastor que sai a buscá-la; a necessidade do fermento para transformar a massa e da luz para que ilume a tremenda escuridão que, às vezes, vem sobre o mundo e sobre o homem.” (Antologia de textos, id.)

São Josemaría Escrivá aconselhava a ler o Evanglho como se fôssemos um personagem a mais. Dessa maneira, na gruta de Belém eu posso ser um dos pastores; nas bodas de Caná eu posso ser o fotógrafo; na passagem do jovem rico eu mesmo posso ser esse jovem; na multiplicação dos pães eu até posso ver a cara de pasmo que os discípulos devem ter feito ao verem tão poucos pães e tão poucos peixes alimentarem tamanha multidão, eu também com eles me admiro; na transfiguração, ainda que o Senhor tenha chamado consigo apenas três, eu posso ser o intrometido e curioso que os acompanha.

“No Santo Evangelho está escrita a história profunda de nossa vida; está escrita a história de nossas relações com Deus.

“O Evangelho nos revela o que é e vale a nossa vida e nos traça o caminho que devemos seguir. O Verbo – a Palavra – é a luz que ilumina todo homem (Jo 1,9). E não há ser humano ao qual não tenha sido dirigida esta Palavra… O Evangelho deve ser o primeiro livro do cristão porque é-nos imprescindível o conhecimento de Cristo; é preciso que o olhemos e o conetemplemos até que conheçamos a memória todos os seus traços.” (Antologia de textos, págs.1308-1309).

Dois propósitos:
– Estar mais atentos à proclamação da Palavra de Deus na Liturgia da Santa Missa;
– Fazer ao menos 5 minutos diários de leitura da Sagrada Escritura a começar pelo Novo Testamento.

Santa Maria, Sede da Sabedoria, interceda por nós.

(Pe. Françoa Costa – Setembro/07) – VEJA O LINK

Texto Publicado também em:

http://www.cursilhoanapolis.com.br/artigos/view/1

Evangelizar:


Vocação e missão da Igreja




1. Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir.

2. Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.

3. Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.

4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.

5. Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!

6. Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.

7. Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.

8. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.

9. Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.



Na revelação bíblica, a missão está intimamente relacionada à história da salvação, ao desejo de Deus de “que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.” (ITm 2,4) Por isso a missão está ligada ao envio: “Ide, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos mandei.” (Mt 28,19-20)

Esse envio justifica e motiva a missão da comunidade cristã.

O motivo primordial da missão é e sempre será o mandato missionário que Jesus Cristo deu aos apóstolos e aos discípulos no termo de sua existência terrena. É um ato de obediência fundamental que a Igreja deve prestar, até o fim da história, à vontade de seu autor. Por isso a Igreja procurou sempre tomar consciência de sua natureza evangelizadora.

A evangelização exprime a identidade, a vocação própria da Igreja, sua missão essencial: “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, sua mais profunda identidade.” (Paulo 6° “Evangelii nuntiandi”, 14)

Eis por que a evangelização é o núcleo central da missão da Igreja. Sem esse trabalho, a Igreja não passaria de um “clube” qualquer. Poderia ser um excelente “clube de amigos”, mas não a Igreja de Jesus.

Quando falamos da atividade missionária da comunidade eclesial, precisamos passar da missão à missionariedade, do objeto (o que fazer) ao sujeito (quem vai fazer) do mandato missionário.

Não é suficiente perceber a necessidade da missão, mas é fundamental tomar consciência de que toda a Igreja, e nela cada batizado ou batizada, é o sujeito da missão. Fica, pois, muito claro que toda a Igreja é por sua natureza missionária.

Os cristãos não podem permanecer passivos, reduzindo, muitas vezes, sua pertença eclesial a momentos rituais. É preciso colocar toda a Igreja em “estado permanente de missão”.

A Igreja é toda missionária em seus membros que agem de diversos modos, de acordo com a multiplicidade e a variedade dos carismas e dons. É em cada um de seus membros que a comunidade cristã coloca-se a serviço da evangelização e é enviada para pregar o Evangelho a toda criatura.

A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. Não é preocupação com uma salvação abstraía, mas compromisso de fé com o ser humano, com seu crescimento no seguimento de Jesus e com sua plena realização em todos os sentidos, porque entre evangelização e promoção humana — como sabiamente afirmou o Papa Paulo 6° — existem de fato laços profundos.

Em outras palavras, a Igreja deve permanecer sempre a serviço da pessoa humana, colaborando concretamente para a libertação da humanidade. O compromisso com a justiça é parte indispensável do processo de evangelização.

A defesa dos direitos humanos, da dignidade da pessoa, não é oportunismo ou modismo, mas sinal de fidelidade e de autenticidade da missão evangélica da Igreja.

É preciso, pois, proclamar corajosamente a necessidade de libertação da pessoa humana, a fim de que se possa superar a situação de injustiça que exclui cada vez mais pessoas do acesso aos bens indispensáveis a uma vida digna. Esse compromisso com a libertação do ser humano concretiza-se na opção pêlos pobres.

A Igreja missionária a serviço do Evangelho faz dela uma de suas características fundamentais. Optar pelo pobre “é condição necessária e irrenunciável do caráter evangélico da ação da Igreja.” (CNBB Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora, 194) É claro que assumir, sem meios termos, a causa dos excluídos e excluídas exige uma verdadeira reviravolta na própria vida. É preciso entrar naquele processo de “metânoia” (mudança de mentalidade) do qual fala o Evangelho.

Daí “a necessidade de uma conversão de toda a Igreja para uma opção preferencial pêlos pobres, no intuito de sua integral libertação.” (Documento de Puebla, 1134)

Em sua missão, a Igreja, além do anúncio da dignidade da pessoa humana, deve denunciar todas as formas de opressão. Uma Igreja verdadeiramente missionária é aquela que anuncia a cada ser humano que ele é filho de Deus em Cristo, aquela que se compromete com a libertação de toda a humanidade.

Nesse campo da libertação integral das pessoas, segundo o Documento de Puebla, n° 562, a missão da Igreja “é imensa e mais do que nunca necessária. Para cumpri-la, requer-se a ação da Igreja toda — pastores, ministros consagrados, religiosos, leigos, cada qual em sua missão própria.

Uns e outros, unidos a Cristo na oração e na abnegação, comprometer-se-ão, sem ódios nem violência, até as últimas conseqüências, na conquista de uma sociedade mais justa, livre e pacífica”, sonho de nosso povo e sinal autêntico de verdadeira evangelização.


Por: Padre Sebastião Luiz de Souza
É reitor do seminário Propedêutico e promotor vocacional da Diocese de PiracicabaFonte: Catequese Católica – Leia os outros artigos— com Rcc Anápolis Goiás


Primeira Missa no Brasil.

Porto Seguro: reembarcados, levantaram âncora e navegaram mais acima, para um lugar mais protegido, o Porto Seguro, onde foi rezada a 1ª Missa, no Domingo de Páscoa no dia 26 de abril de 1500. A terra recém achada foi considerada como uma dádiva divina colocada ao alcance de D. Manuel. A cerimônia religiosa, oficiada por D. Henrique de Coimbra, consagrou-a como espaço a ser convertido e integrado à Cristandade. Depois de mais alguns encontros onde estiveram presentes mais de 400 indígenas, curiosos perante a chegada daquela gente estranha, a expedição fez-se novamente ao mar no dia 2 de maio de 1500, retomando a viagem para a Índia. Não ficaram mais de dez dias na Terra dos Papagaios, como foi popularmente chamada. Além de dois degredados que aqui foram deixados aos prantos, dois grumetes fugiram de bordo e nunca mais foram vistos. Eram, esses anônimos, os primeiros brasileiros.

Parte integrante do arquivo Histórico em PDF

1500 A Primeira Missa no Brasil

A Primeira Missa no Brasil, Victor Meireles, 1860.

A Primeira Missa no Brasil, Victor Meireles, 1860.


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Curiosidade

Um novo mundo

Encontraram, os lusos, um outro mundo abaixo do equinócio. Ninguém o assinalara antes. Nem os portulanos o indicavam,
nem o celebrado Globo de Martim Behaim de 1492, onde, ao ocidente, só se viam desenhadas algumas ilhas, a maioria delas imaginárias (com a das “Sete Cidades”, ou mesmo
uma de nome “Brasil”). Se Deus, até então, não avisara a existência daquelas terras aos cristãos, e se os nativos ignoravam a existência de Jesus Cristo, concluíram também que não tinham ciência, nem juízo, do crime de Adão. Convenceram-se, então, não haver Pecado do lado de cá do equador. Por essas bandas era um vale-tudo.

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A Primeira Missa

Dias já faziam em que estavam os lusos ali entre idas à praia e voltas ao mar. Carregavam água, frutas e o lenho para os barcos, enquanto dois carpinteiros separavam um enorme tronco para a feitura da Cruz. Os índios, uns oitenta ou mais, tagarelas, estorvantes, arrodeavam os marinheiros em seus afazeres, olhando, pasmos, o efeito do fio do ferro na árvore. Da mata próxima vinham os barulhos da bicharada, o ruído forte dos papagaios, dos bugios, e de uma poucas pombas-rolas. A missa mesmo, a primeira no Brasil, deu-se no Domingo de Páscoa, 26 de abril de 1500, quando afincaram a Cruz no chão macio de um banco de areia em Porto Seguro.

O Frei Henrique de Coimbra, um franciscano, oficiou-a todo aparamentado, enquanto a tripulação congregava-se na praia às voltas do altar. Tomavam posse daquela Ilha de Vera Cruz, em nome do rei de Portugal e da Santa Fé católica. Os nativos, dóceis, se portaram de tal modo que Caminha convenceu-se da fácil conversão deles no futuro.

Um par de padres, dos bons, escreveu ele ao rei, bastava.

E a conclusão de Caminha:

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Carta de Caminha

Carta de Caminha

Caminha

E quando veio o Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós… e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.- Carta de Caminha a El-Rei, 1º de maio de 1500

Frei Henrique sacraliza o ato de posse do Brasil

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A decisão de vir ocupar o Brasil
Porém, não foi essa a decisão da Coroa. Demorou quase meio século para que um reduzido destacamento de jesuítas desembarcasse no Brasil para fins de catequese. As políticas anteriores de ocupação da nova terra (o arrendamento ao consórcio de cristãos-novos de Fernão de Noronha, e, depois, a doação de capitanias), redundaram em fracasso.
Foi o acirramento do combate teológico contra os protestantes, e as visitas das naus bretãs e flamengas atrás do pau-tinta, que fizeram o rei abandonar a desatenção para com o Brasil. Tinha urgentemente que ocupar os pontos estratégicos da costa e pôr aqueles hereges a correr.
Ou tomava conta de vez, ou perdia tudo.

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A expansão do Catolicismo
E assim, com igrejas e capelas, santuários erguidos nas aparições da Virgem, orações, cantorias, procissões, conversões e batismos, trazendo mais padres e outras ordens (dos franciscanos, carmelitas, beneditinos, mercedários, e outros), a Igreja Católica foi doutrinando, educando e civilizando o bruto que aqui estava, e o outro bruto que aqui chegava. Com ameaças ao Inferno, recorrendo, por vezes, à “vara de ferro” e ao látego, erguidos contra o animismo, o feiticismo, a magia e a heresia, espantaram-nos desta parte do Novo Mundo. Uma Santa Casa aqui, um Colégio acolá, uma cama de lençóis para um doente, um tema de Cícero, um asilo para um órfão, uma lição do De Bello Gallico, que, somados aos oceânicos sermões do Padre Vieira, fizeram
com que se mantivesse, em mãos católicas, uma das maiores extensões de terras do mundo ocidental. E dizer que tudo isso começou 500 atrás, numa improvisada missa campal, puxada à frente de uma cruz de madeira bárbara, em hora de sol a pino, encerrada em seu final à bulha de “corno ou buzina”, saltos e danças, feitos por uns nativos esquisitos, numa desconhecida praia da Bahia!

Padre Vieira - O Gigante Barroco
Padre Vieira – O Gigante Barroco

Parte integrante do arquivo Histórico em PDF

1500 A Primeira Missa no Brasil

Igreja Católica.

A Igreja É Una, Santa,

Católica e Apostólica Romana.

Pe. Françoá Costa

Os Padres da Igreja gostavam muito de comparar a Igreja à lua, pois assim como a lua recebe toda a sua luz do sol, assim também a Igreja recebe toda a sua luz de Cristo (cfr. Cat.748).


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Nosso esquema:

1. O mistério da Igreja. Sua origem, fundação e missão

2. Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo

3. Una, Santa, Católica e Apostólica

4. Os fiéis de Cristo: Leigos, Vida Consagrada, Hierarquia

5. A “Communio Sanctorum”

6. Maria, Mãe de Cristo e da Igreja


1 – O Mistério da Igreja. Sua origem, fundação e missão.

“Para perscrutar o mistério da Igreja, convém meditar primeiro sobre sua origem no desígnio da Santíssima Trindade e sobre sua realização progressiva no curso da história” (Cat.758).

Podemos falar do mistério da Igreja, isto é, considerando-a, ela mesma, como um mistério; também podemos falar da Igreja do mistério, enquanto que ela é depositária do Mistério de Cristo.

O Catecismo da Igreja Católica fala da Igreja como um projeto nascido no coração do Pai, prefigurada desde a origem do mundo, preparada na Antiga Aliança, instituída por Jesus Cristo, manifestada pelo Espírito Santo e consumada na glória (cfr. Cat.759-769). Diz ainda: “A Igreja está na história, mas ao mesmo tempo a transcende. É unicamente “com os olhos da fé” que se pode enxergar em sua realidade visível, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual, portadora de vida divina” (Cat.770).

Podemos observar que a Igreja vê-se a si mesma como um mistério que vai se mostrando pouco a pouco até que chegasse a plenitude dos tempos (cfr. Gal 4,4) e Cristo Jesus – que é a plenitude e o mediador da Revelação – a fundasse.Vamos contemplar esse mistério. Em primeiro lugar, a Igreja é um projeto nascido no coração do Pai. E como o Pai é eterno, podemos dizer que a Igreja existe desde toda a eternidade no coração do Pai.

Mas, o que é a Igreja? É mistério de comunhão dos homens com o Pai no Filho pelo Espírito Santo. Esse elemento é central para compreender a Igreja: Comunhão.

“A palavra “Igreja” [“ekklésia”, do grego “ekkaléin” – “chamar fora”] significa “convocação”. Designa assembléia do povo, geralmente de caráter religioso. É o termo usado freqüentemente no Antigo Testamento grego para a assembléia do povo eleito diante de Deus, sobretudo para a assembléia do Sinai, onde Israel recebeu a Lei e foi constituído por Deus seu povo santo… O termo “Kyriakä”, do qual deriva “Chrch”, “Kirche”, significa “a que pertence ao Senhor”… “A Igreja” é o povo que Deus reúne no mundo inteiro. Existe nas comunidades locais e se realiza como assembléia litúrgica sobretudo eucarística. Ela vive da Palavra e do Corpo de Cristo e se torna assim, Corpo de Cristo” (Cat.751-752).

Qual é a origem da Igreja? Ela tem sua origem, como diz o Catecismo, no Coração do Pai, tem sua origem no mistério da Santíssima Trindade. Esta é a origem mais profunda da Igreja: o Coração do Pai apaixonado pela humanidade.

O amor da Trindade pela humanidade fez com que a Igreja fosse prefigurada desde a criação do mundo. Deus criou o ser humano para fazê-lo participante de sua vida divina, não existe um só ser humano que não tenha esse fim sobrenatural. O que acontece é o que o meio através do qual esse fim sobrenatural se realiza é a Igreja, já definida como mistério de comunhão dos homens com Deus. Ao mesmo tempo que a Igreja é o meio pelo qual se realiza essa comunhão com Deus, ela também é – com relação ao mundo – a finalidade de todas as coisas (cfr.Cat 760).

Quando o homem e a mulher pecam, o Senhor já promete a salvação (cfr. Gn 3,15).A partir daí começa o tempo de preparação da Igreja. Alguns Padres da Igreja falaram até da Ecclesia ab Adamo, a Igreja desde os tempos de Adão, e da Ecclesia ab Abel, a Igreja desde os tempos de Abel. “A preparação longínqua do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel como povo de Deus” (Cat.762).

Quando chegou o momento Cristo instituiu a sua Igreja. “O Senhor Jesus dotou sua comunidade de uma estrutura que permanecerá até a plena consumação do Reino. Há antes de tudo a escolha dos Doze, com Pedro como seu chefe. Representando as doze tribos de Israel, eles serão a pedra de fundação da nova Jerusalém. Os Doze e os outros discípulos participam da missão de Cristo, de seu poder, mas também de sua sorte. Por meio de todos esses atos, Cristo prepara e constrói a sua Igreja.

“Mas a Igreja nasceu primeiramente do dom total de Cristo para nossa salvação, antecipado na instituição da Eucaristia e realizado na Cruz. “O começo e o crescimento da Igreja são significados pelo sangue e pela água que saíram do lado aberto de Jesus crucificado.” “Pois do lado de Cristo dormindo na Cruz é que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja”. Da mesma forma que Eva foi formada do lado de Adão adormecido, assim a Igreja nasceu do coração traspassado de Cristo morto na Cruz.” (Cat.765-766).

Podemos observar que o Catecismo já nem fala de uma só passagem – como a clássica: “tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”(Mt 16,18) – para provar que Cristo quis fundar uma Igreja e que esta Igreja foi fundada de fato, ainda que essa passagem continue mantendo toda a sua importância, pois trata-se de uma promessa do Senhor, já realizada, pois a Igreja foi fundada. O Catecismo da Igreja fala de “atos fundacionais de Cristo”: a reunião de discípulos à sua volta, a escolha dos Doze, a primazia de Pedro no grupo dos Doze, a instituição da Eucaristia, o Mistério Pascal. Como tudo o que Deus faz ad extram, ou seja, o que acontece fora da vida íntima de Deus, são ações comuns às três divinas Pessoas da Trindade, compreenderemos também o papel importantíssimo do Espírito Santo, que é Espírito do Pai e do Filho, em Pentecostes e nos primeiros anos da Igreja neste processo fundacional.

A Igreja foi manifestada pelo Espírito Santo. “Terminada a obra que o Pai havia confiado ao Filho para realizar na terra, foi enviado o Espírito Santo para santificar a Igreja permanentemente” (Cat.767). Esta Igreja também será consumada na glória quando Cristo volte em sua glória (cfr.Cat.769). Então haverá a Igreja resplandecente de santidade.

A missão da Igreja é a mesma de Cristo: a salvação da humanidade. Ela, a Igreja, continua a missão de Jesus Cristo. “Por ser “convocação” de todos os homens para a salvação, a Igreja é, por sua própria natureza, missionária enviada por Cristo a todos os povos para fazer deles discípulos” (Cat.767).

2 – Povo de Deus, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo

Outrora Deus fez para si um povo, o povo de Israel. Ele enviou o seu Filho para salvar esse povo, o qual não aceitou – em sua maioria – o Messias enviado. Deus formou para si um novo povo, a Igreja, formado pelos que nascem pela fé e pelo Batismo; este povo tem por Chefe Jesus Cristo; como condição, a dignidade da liberdade dos filhos de Deus; como lei, o mandamento novo de amar como Cristo mesmo nos amou; como missão, ser sal da terra e luz do mundo; como meta, o Reino de Deus, do qual a mesma Igreja já é germe (cfr. Cat.782). O Novo Povo de Deus é um povo sacerdotal, profético e régio, já que todo e qualquer batizado participa dessas três funções de Cristo (cfr. Cat.783).

A Igreja é também o Corpo de Cristo. Distingamos: o corpo físico do Senhor é aquele que ele tem agora no céu, corpo glorioso; o corpo eucarístico do Senhor é o que nós temos no Sacramento da Eucaristia, trata-se de uma presença substancial, não física; o corpo místico do Senhor é a Igreja. É São Paulo quem usa essa bela imagem: “Com efeito, o corpo é um e, não obstante, tem muitos membros, mas todos os membros do corpo, apesar de serem muitos, formam um só corpo. Assim também acontece com Cristo. Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo” (1 Cor 12,12-13).

“A comparação da Igreja com o corpo projeta uma luz sobre os laços íntimos entre a Igreja e Cristo. Ela não é somente congregada em torno dele; é unificada nele, em seu Corpo.” (Cat.789). O “Christus totus – Cristo total” é Cristo-Cabeça e a Igreja-Corpo. Santo Agostinho expressou-se assim: “Alegremo-nos, portanto, e demos graças por nos termos tornado não somente cristãos, mas o próprio Cristo. Compreendeis, irmãos, a graça que Deus nos concedeu ao dar-nos Cristo como Cabeça? Admirai e rejubilai, nós nos tornamos Cristo. Com efeito, uma vez que Ele é a Cabeça e nós somos os membros, o homem inteiro é constituído por Ele e por nós. A plenitude de Cristo é, portanto, a Cabeça e os membros. O que significa isto: a Cabeça e os membros? Cristo e a Igreja” (Ev.Jo.21,8). Esta união tão grande existente entre Cristo e sua Igreja não impede a distinção que há entre os mesmos; daí a importância de outra bela imagem: a Igreja é a Esposa de Cristo. “Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado, a qual Cristo “amou, pela qualse entregou, a fim de santifica-la” (Ef 5,26), que associou a si por uma Aliança eterna e da qual não cessa de cuidar como de seu próprio Corpo” (Cat.796).A Igreja, Templo do Espírito Santo. “Quod est spiritus noster, id est anima nostra, ad membra nostra, hoc est Spiritus Sanctus ad membra Christi, ad corpus Christi, quod est Ecclesia – o que é o nosso espírito, isto é, a nossa alma em relação a nossos membros, assim é o Espírito Santo em relação aos membros de Cristo, ao corpo de Cristo que é a Igreja” (S.Agostinho, Serm.268,2:PL 38,1232). O Espírito Santo habita no Corpo de Cristo, que é a Igreja, a vivifica e a santifica, Ele é o “Dominus et Vivificans – Senhor e Doador de vida”, é Ele quem distribui os dons da Cabeça, Cristo, ao Corpo, Igreja. “O Espírito Santo é “o Princípio de toda ação vital e verdadeiramente salutar em cada uma das diversas partes do corpo”” (Cat.798).

3 – Una, Santa, Católica e Apostólica

Una. A Igreja é UNA por sua Fonte, a Trindade Beatíssima, um só Deus em três Pessoas; por seu Fundador, Jesus Cristo; por sua Alma, o Espírito Santo (cfr. Cat.813). A diversidade que há na Igreja não impede a unidade, pois há uma grande variedade de povos, culturas, espiritualidade etc. Não pode faltar, porém, os vínculos da unidade. O vínculo invisível é a graça de Deus, que faz com que haja “a caridade, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Além do vínculo invisível e correspondente à nossa natureza corpórea-espiritual, também existem os vínculos visíveis: a profissão de uma única fé recebida dos apóstolos, a celebração dos Sacramentos, a sucessão apostólica (através do Sacramento da Ordem, que mantém a concórdia na família de Deus). Classicamente, isso tem sido expressado assim: comunhão na Fé, nos Sacramentos e no Regime (cfr. Cat.815).

“A única Igreja de Cristo (…) é aquela que nosso Salvador, depois de sua Ressurreição, entregou a Pedro para que fosse seu pastor e confiou a ele e aos demais Apóstolos para propagá-la e regê-la… Esta Igreja, constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na (“subsistit in”) Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele” (LG 8).

Com o movimento ecumênico, a Igreja tem feito realidade esse desejo de Cristo de que todos sejam um (cfr. Jo 17,21). Apesar de ser um trabalho difícil, o ecumenismo precisa ir adiante. O primeiro gesto ecumênico a ser feito, porém, é o da oração; precisamos rezar muitas vezes a oração que Cristo rezou: “que todos sejam um.” É preciso evitar também todo e qualquer falso ecumenismo, confuso e sem metas, que não persegue a verdade, que é pressuposto para uma autêntica unidade.

Santa. “A Igreja… é aos olhos de Deus, indefectivelmente santa. Pois Cristo, Filho de Deus, que com o Pai e o Espírito Santo é proclamado o ‘único Santo’, amou a Igreja como sua Esposa. Por ela se entregou a fim de santificá-la. Uniu-a a si como seu corpo e cumulou-a com o dom Espírito Santo, para a glória de Deus.” A Igreja é, portanto, “o Povo santo de Deus”, e seus membros são chamados “santos”” (Cat.823).Como explica-se, por tanto entanto, a existência de membros pecadores dentro da Igreja? É preciso distinguir a Igreja enquanto Corpo de Cristo, intimamente unida ao seu Senhor, totalmente santa, e os membros desse Corpo, santos e pecadores. Essa distinção, porém, oferece uma dificuldade clara: já que o corpo está formado pelos membros do mesmo, como pode acontecer que esse corpo seja santo e os membros desse corpo sejam também pecadores? Assim explica J.-H. Nicolas: “A Igreja é santa porque ela é o Corpo de Cristo, o meio de sua presença no mundo e na história depois da Ascenção. Essa santidade é total porque não depende da santidade dos seus membros, mas da santidade de Cristo, que Ele faz presente. Mas, nós não podemos dizer que Ele faça uma abstração total da santidade dos seus membros (…)

“ A santidade objetiva da Igreja pode crescer? Parece que de duas maneiras: quantitativamente, à medida que a Igreja se espalha pelo mundo; qualitativamente, segundo a clareza e a força do seu testemunho. Desde este ponto vista existe sem dúvidas fases de progresso e de regresso, de acordo com as épocas e com os lugares. Cada vez que um membro da Igreja peca, na medida que ele peca, ele se separa da Igreja ao mesmo tempo que de Cristo. Existem graus nesta separação: exceto no caso de cisma ou heresia, a separação não é completa, e o pecador continua a pertencer à Igreja, como nós veremos. Mas se tal pessoa é membro da Igreja, não o é em razão de seus pecados, nem mesmo com seus pecados, mais apesar dos seus pecados [Mais si quelqu’un est membre de l’Eglise, ce n’est ni en raison de ses péchés, ni même avec ses péchés, mais malgré ses péchés]” (Synthése Dogmatique, 3ª ed., 1991, pp.699-700).

Desta maneira nós entendemos que a Igreja pode ser sempre reformada, renovada e, de fato, o Espírito Santo faz isso constantemente em seu Templo Santo.

Católica. “A palavra “católico” significa “universal”… A Igreja é católica em duplo sentido. Ela é católica porque nela Cristo está presente. “Onde está Cristo Jesus está a Igreja Católica.” Nela subsiste a plenitude do Corpo de Cristo unido à sua Cabeça, o que implica que ela recebe “a plenitude dos meios de salvação” que ele quis: confissão de fé correta e completa, vida sacramental integral e ministério ordenado na sucessão apostólica. Neste sentido fundamental, a Igreja era católica no dia de Pentecostes e o será sempre, até o dia da Parusia. Ela é católica porque é enviada em missão por Cristo à universalidade do gênero humano” (Cat.830-831).

A este novo Povo de Deus todos os homens “são chamados a pertencer” (LG 13). Continua válida aquela verdade: extra Ecclesiam nulla salus – fora da Igreja não há salvação, já que toda salvação vem de Cristo, e Cristo sempre leva consigo a sua Igreja, que é o seu Corpo. Será que a Cabeça anda por aí separada do Corpo? Cabeça fora do corpo ou corpo fora do corpo significa morte. De fato, o Concílio Vaticano II afirmou: “não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja católica foi fundada por Deus por meio de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar” (LG 14); afirmou também: “Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com coração sincero e tentam, sob influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida por meio do ditame da consciência podem conseguir a salvação eterna” (LG 16). Essa salvação, no entanto, se dá por Cristo e na Igreja, mas de uma maneira misteriosa. Com tudo isso fica sempre firme o dever o direito da Igreja de evangelizar todos os homens (cfr. Cat.848)

Apostólica. “A Igreja é apostólica por ser fundada sobre os apóstolos, e isto em um tríplice sentido:
– ela foi e continua sendo construída sobre o “fundamento dos apóstolos” (Ef 2,20), testemunhas escolhidas e enviadas em missão pelo próprio Cristo;
– ela conserva e transmite, com a ajuda do Espírito que ela habita, o ensinamento, o depósito preciosos, as salutares palavras ouvidas da boca dos apóstolos;
– ela continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos apóstolos até a volta de Cristo, graças aos que a eles sucedem na missão pastoral: o colégio dos bispos, “assistido pelos presbíteros, em união com o sucessor de Pedro, pastor supremo da Igreja”. (Cat.857).

4 – Os fiéis de Cristo – Leigos, Vida Consagrada, Hierarquia

O ser humano torna-se um fiel de Cristo ao ser batizado, este Sacramento é a porta, por ele se entra na Igreja de Cristo: “Entre todos os fiéis de Cristo, por sua regeneração em Cristo, vigora, no que se refere à dignidade e à atividade, uma verdadeira igualdade, pela qual todos, segundo a condição e os múnus próprios de cada um, cooperam na construção do Corpo de Cristo” (in Cat.872).

Os leigos são aqueles aos quais é específico “por sua própria vocação, procurar o Reino de Deus exercendo funções temporais e ordenando-as segundo Deus… A eles, portanto, cabe de maneira especial iluminar e ordenara de tal modo todas as coisas temporais, às quais estão intimamente unidos, que elas continuamente se façam e cresçam segundo Cristo e contribuam para o louvor do Criador e Redentor” (LG 31). “Uma vez que, como todos os fiéis, os leigos são encarregados por Deus do apostolado em virtude do Batismo e da Confirmação, eles têm obrigação e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra” (in Cat.900).


A vida consagrada.
“Os conselhos evangélicos, em sua multiplicidade, são propostos a todo discípulo de Cristo. A perfeição da caridade à qual todos os fiéis são chamados comporta para os que assumem livremente o chamado à vida consagrada a obrigação de praticar a castidade no celibato pelo Reino, a pobreza e a obediência. É a profissão desses conselhos em um estado de vida estável reconhecido pela Igreja que caracteriza a “vida consagrada” a Deus” (in Cat.915).

A Hierarquia da Igreja. “Para apascentar e aumentar sempre o Povo de Deus, Cristo Senhor instituiu em sua Igreja uma variedade de ministérios que tendem ao bem de todo o Corpo. Pois o ministros que são revestidos do sagrado poder servem a seus irmãos para que todos os que formam o Povo de Deus…cheguem à salvação” (LG 18). A hierarquia da Igreja está constituída pelos Bispos, Presbíteros e Diáconos.

Os Bispos são os sucessores dos apóstolos, o Papa, que também é um Bispo – o Bispo de Roma – é sucessor do apóstolo Pedro, apenas ele sucede individualmente a um apóstolo, já que a sucessão que está nos demais é colegial. Todos os bispos têm o múnus de ensinar, santificar e reger a Igreja de Deus, em comunhão com o Bispo de Roma, que tem a primazia, como S.Pedro também a tem entre os apóstolos.

Os Presbíteros são os cooperadores dos Bispos. Recebem também o múnus de ensinar, santificar e reger o Povo de Deus a eles confiados em comunhão com o Bispo.
Os diáconos são aqueles que servem o Povo de Deus na “diaconia” da liturgia, da palavra e da caridade, em comunhão com o Bispo e seu presbitério (cfr. Cat.875).
“Segui todos o Bispo, como Jesus Cristo [segue] o Pai, e o presbitério como aos apóstolos; quanto aos diáconos, respeitai-os como a lei de Deus. Que ninguém faça sem o Bispo nada que diz respeito à Igreja.” (Sto. Inácio de Antioquia, Smyrn.8,1)

5 – A “Communio Sanctorum” (Cat.946-962)

“A comunhão dos Santos é precisamente a Igreja” (Cat.946). Essa comunhão se dá nos bens espirituais: na fé, nos sacramentos, nos carismas, na caridade etc; também se dá entre a Igreja do céu e a da terra, que se manifesta especialmente com a intercessão dos santos e com a comunhão com os mesmos. Encontramo-nos na “única família de Deus. “Todos os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo, enquanto nos comunicamos uns com os outros em mútua caridade e num mesmo louvor à Santíssima Trindade, realizamos a vocação própria da Igreja.” (in Cat.959)

6 – Maria, Mãe de Cristo e da Igreja

Maria Santíssima é Mãe de Cristo, portanto Mãe de Deus, e Mãe da Igreja, já que esta é o Corpo de Cristo. Ela é Mãe da Cabeça e dos membros. “Por sua adesão total à vontade do Pai, á obra redentora de seu Filho, a cada moção do Espírito Santo, a Virgem Maria é para a Igreja o modelo da fé e da caridade. Com isso, ela é “membro supereminente e absolutamente único da Igreja”, sendo até a “realização exemplar (typus)” da Igreja. Mas seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade vai ainda mais longe. “De modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por este motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça”” (Cat.967-968).

Pe. Françoá Rodrigues Figueiredo Costa,
sacerdote do clero secular
da Diocese de Anápolis,
15/12/2007

Fonte: e outros temas.

Site da Diocese de Anápolis – Goiás

http://www.diocesedeanapolis.org.br/leitura/igreja.php



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O Sacramento do Batismo.



Batismo


Tema preparado para apresentação em curso de Pais e Padrinhos na preparação para a recepção do Sacramento do Batismo.


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PALESTRA – SACRAMENTO DO BATISMO (TEOLOGIA) – (Angela)

– Apresentação de slides – Com imagens

Slide 01 – Aconteceu naqueles dias, que Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no rio Jordão, e logo ao subir da água Ele viu os céus rasgando e o Espírito, como uma pomba, descer até Ele e uma voz veio dos céus: Tu és o meu Filho amado, em Ti me comprazo. (Mc 1,9-11)

Slide 02 – Antes de Jesus, já havia no antigo Egito e na Babilônia, banhos sagrados com a finalidade de purificar a pessoa mergulhada na água. João Batista realizava essa mesma prática, mas seu objetivo era a conversão para o perdão dos pecados. Jesus se faz batizar por João no Jordão, não porque precisava de conversão ou purificação, mas para mostrar que, a partir dali, estava sendo inaugurado um novo Batismo (o da graça) e uma nova religião (a do Espírito). E, ainda, para que Deus pudesse manifestar publicamente aos homens o seu Filho amado.

Slide 03 – O batismo (mergulho) é um gesto litúrgico realizado com água e contém em sua realidade simbólica dois momentos: a imersão (a adesão a Jesus, à missão) e a emersão (a vida nova em Jesus).

Esse mergulho nos exorta à purificação, à conversão e a um novo nascimento (o da água e do espírito).

Nele recebemos as Virtudes que vêm de Deus e nele têm seu objeto imediato:

São a Fé, a Esperança e a Caridade.

Recebemo-las com a graça do Batismo, e, em maior abundância, com a da Confirmação.

Slide 04 – Nosso batismo foi instituído por Jesus. Ele ordenou aos seus discípulos : Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo quanto Vos ordenei. E eis que Eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. (Mt 28,19-20).

Slide 05 – O Evangelho mostra Jesus sendo batizado junto com o povo. Isso mostra que Ele veio para se solidarizar com a humanidade. É assim que realizará seu projeto de vida. Cabe a cada um de nós, batizados, aderirmos a essa missão: estar à disposição da comunidade, ajudar aos nossos irmãos a defender os seus direitos e a denunciar toda e qualquer injustiça contra o projeto de vida de Deus

Slide 06 – O Batismo impõe responsabilidades

1 – Para com Deus – fé, aliança, culto e oração;

2 – Para com a Igreja – fidelidade, respeito e colaboração,

3 – Para com o próximo – caridade, justiça e serviço.

Slide 07 – Assim como o Batismo é a fonte de responsabilidades e deveres, é também:

Graça, porque é dado até aos culpados

Dom, porque é conferido àqueles que nada trazem;

Unção, porque é sagrado e régio;

Iluminação, porque é luz resplandecente;

Veste, porque cobre nossa vergonha;

Banho, porque lava;

Selo, porque nos guarda e é sinal do Senhorio de Deus.

Slide 08 – O Batismo é um Sacramento que nos reconduz à comunhão com o Deus Pai que nos proclama Seus filhos muito amados aos nos tornar membros de Seu filho Jesus. Isso nos faz ser Igreja (assim como Jesus o é), pois nos infunde a fé, a esperança e a caridade.

Slide 09 – É um nascer de novo, da água e do Espírito (Jo 3,1-8). É a porta de entrada na Igreja. A partir do Batismo somos inseridos numa comunidade eclesial. Somos Corpo de Cristo, que é cabeça da Igreja. Temos a mesma missão de Jesus Cristo – enviados para falar em nome Dele, ser sal, luz e fermento. Evangelizar levando a Boa Nova a toda a criatura.

Slide 10 – Batizar quer dizer mergulhar. Todos os homens e mulheres estão mergulhados no acontecimento de salvação, todos estão mergulhados em Jesus Cristo – Ele veio para dar vida ao mundo. Veio salvar e não condenar.

Slide 11 – Imagens dos símbolos do batismo.

Sinal da Cruz – Água – Pai nosso – Creio – Veste branca – Vela – Óleo – Palavra de Deus

Slide 12 e 13 – Sinal da Cruz: Sinal do cristão – penetra no mistério do amor, família: Pai, Filho, Espírito Santo.

Água: dom de Deus. Fonte de vida e purificação. Simboliza a vida nova, do nascimento da água e do Espírito. Morte e vida, morte do homem/mulher velho (egoísta) e vida do homem/mulher novo (vida no amor).

Óleo: simboliza agilidade e força. Antigamente quando um lutador ia para a arena era besuntado de óleo. Atribuía-se ao óleo a propriedade de enrijecer e adestrar os músculos para o combate, ou ao menos tornar o lutador escorregadio e difícil de ser pego. Esta primeira unção feita no peito do batizando significa que o cristão deverá lutar na vida para conservar a fé.

Vela: a vela é o Círio Pascal, símbolo do Cristo ressuscitado, que vence as trevas do pecado, do egoísmo, do ódio, da maldade e de todo o mal. A chama da vela nos lembra que Cristo é a luz do mundo, e nós como cristãos (de Cristo) devemos iluminar o mundo também. A cera que se consome, lembra que Jesus consumiu sua vida na cruz por nosso amor, assim como também a vida do cristão deverá estar a serviço da comunidade.

Veste branca: simboliza se revestir de homem novo. Simboliza a pureza da fé e da vida. Simboliza a graça: a vida divina é a comunhão permanente com Deus.

Palavra de Deus (Bíblia): O próprio Cristo nos falando. Ele vem junto com a Palavra. Ele o Verbo dando orientações para a nossa vida. Ensinando a observar tudo que ordenou.

Creio: profissão de fé – condensado tudo o que o cristão deve crer. (convidar á oração).

Pai nosso: Oração dos filhos ensinada por Jesus, deve estar presente em todos os momentos da vida do cristão.

Slide 14 – Onde ficamos nós, pais e padrinhos, em tudo isso?

Slide 15 – A Educação pela fé: A conseqüência, para os pais que pedem o batismo para seus filhos, é o compromisso, já assumido na celebração do casamento, de educá-los na fé, dentro da comunidade eclesial. Pelo Batismo as crianças se tornam parte da Igreja. E naquele dia seus pais disseram que iam ajudá-las a crescer na fé, observando os Mandamentos e vivendo na comunidade dos seguidores de Jesus.

Slide 16 – A colaboração dos padrinhos: No cumprimento deste compromisso de educar seus filhos na fé, os pais são ajudados pelos padrinhos. Depois dos pais, padrinho e madrinha representam a Igreja, nossa Mãe, “que, pela pregação e pelo batismo, gera, para uma vida nova e imortal, os filhos concebidos do Espírito Santo e nascidos de Deus” (LG 64). Representam a Comunidade que, ao enriquecer-se com a entrada de um novo membro, vê sua responsabilidade também acrescida.

Os padrinhos, assim como os pais, são responsáveis pela formação religiosa de seus afilhados. Devem acompanhá-los em sua caminhada na Igreja e garantir-lhes uma vida cristã, dando-lhes o exemplo e o testemunho de fé.


Seminário de Vida no Espirito

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Os Sacramentos de Iniciação Cristã Batismo – Crisma e Eucaristia


O Batismo de Jesus (Post).

O Batismo de Jesus (PPTx)


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Trindade, Mistério ou o Segredo da Verdadeira Unidade ?

O Mundo precisa de Paz para não sucumbir em suas guerras e aventuras terroristas. Para conquistarmos uma verdadeira e duradoura Paz, necessitamos em primeiro lugar atingirmos a unidade perfeita da Trindade Divina, que deveria deixar de ser um “segredo” e ou um “Mistério” para nós, tornando-se a fonte que supre o Amor que é o único capaz de assegurar uma unidade plena.

Conhecer plenamente a Trindade Divina é o primeiro passo para nos aproximarmos desta vontade de Jesus.

22 – Dei-lhes a glória que me deste, para que sejam um, como nós somos um: 23 – eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim.(S João, 17, 22, 23)

Sizenando

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A PALAVRA DE DEUS NA VIDA DO CRISTÃO

Pe. Françoa Costa

1. Vamos por um momento pedir permissão às três Pessoas da Santíssima Trindade para ver algo desse grande Mistério. O Pai desde toda a eternidade gera o Filho. Neste exato momento, se nos é permitido falar assim, o Pai gera o Filho, que já foi gerado, já está gerado e não precisa de nenhuma perfeição posterior nessa geração. Grande mistério! Lembremo-nos, portanto, que estamos no âmbito da eternidade, onde não há passado nem futuro, tudo é um eterno presente.

O Evangelho Segundo São João começa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.”“No princípio, Deus criou o céu e a terra”(1,1). Como Deus criou? Com sua Palavra: “Deus disse” (1,3). Dessa maneira vemos que a Palavra de Deus, o Verbo de Deus, já se encontrava presente na criação do mundo. O mesmo São João continua a dizer o seguinte em seu prólogo: “Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.” (1,3) (1,1) Essa narração nos lembra aquela outra do primeiro livro do Antigo Testamento, o Gênesis:

Aquele que já estava presente no seio do Pai desde toda a eternidade, que se encontrava na criação do mundo, veio a este mundo em carne mortal na plenitude dos tempos (cf.Gl 4,4). Por que? São João responde: “Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eternal.” (3,16). Para que tivéssemos vida eterna, isto é para que participemos da intimidade de Deus pela graça agora, pela visão da glória mais tarde.

“E a Palavra [o Verbo] se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Já que habitou entre nós, precisamos aprender essa Palavra. O que eu quero dizer é que a Palavra de Deus não é em primeiro lugar a Bíblia, a Palavra de Deus é o próprio Jesus Cristo. O título dessa palestra é “a Palavra de Deus na vida do cristão”, mas poderia ter o seguinte sinônimo “Jesus Cristo na vida do cristão”. Ele é a Palavra eterna do Pai que desceu do céu e se encarnou no seio de Maria Virgem.

2. A Bíblia é a Palavra de Deus porque nele encontramos Jesus Cristo, toda a Sagrada Escritura fala de Cristo, se assim não fosse não teria nenhum interesse para nós a não ser enquanto um simples livre edificante. Todo o poder da Sagrada Escritura vem de sua referência a Cristo. Também o Antigo Testamento fala de Cristo enquanto que é preparação para a vinda do Messias.

A Sagrada Escritura é, portanto, muito importante. Esta tem um significado especial quando nós a escutamos dentro da liturgia da Igreja. Diz a Intrução Geral do Missal Romano: “Quando se lêem as Sagradas Escrituras, o próprio Deus fala ao seu povo, e Cristo, presente em sua palavra anuncia o Evangelho” (nº29). Consequência prática: “escutar com veneração as leituras da Palavra de Deus”(id.). Outra consequência é que o leitor precisa ler bem para que a assembléia entenda o texto sagrado. Esse texto da Instrução também explica porque só o diácono ou o sacerdote lêem o Evangelho: é Cristo quem anuncia. A especial configuração com Cristo que confere o Sacramento da Ordem capacitam o diácono e o presbítero para a proclamação do Evangelho.

Ainda que a Bíblia proclamada na Igreja seja muito importante, não podemos menosprezar a leitura orante e pessoal da Escritura Santa que todos nós devemos cultivar a diário. Conselho prático: 5 minutos diários de leitura da Bíblia com a meta de ler toda a Bíblia.

Como entenderam durante tantos anos de história a Sagrada Escritura? Alguns momentos importantes:
– Como os Padres da Igreja a entenderam? tinham como princípio fundamental que é preciso ler a Escritura com o mesmo espírito com que foi escrita. Esta idéia se encontra no Concílio Vaticano II. Assim como o Espírito Santo assistiu o escritor sagrado (hagiógrafo), assim também assegura o entendimento mais profundo do texto por parte dos leitores subsequentes. Os Padres da Igreja tinham uma leitura sapiencial
da Sagrada Escritura, degustavam-na, praticavam a “ruminatio Scripturae”, davam voltas aos textos saboreando-os, faziam muitas conexões entre várias passagens.

– Como os medievais a entenderam? concentraram-se sobretudo no desenvolvimento da doutrina dos sentidos da Escritura. “A letra ensina o que aconteceu; a alegoria, o que deves crer; a moral, o que deves fazer; a anagogia, para onde deves caminhar.” (CCE 118). O Catecismo se refere a esse tema a partir do número 115. Fala, primeiramente, do sentido literalsentido spiritual (graças à unidade do projeto de Deus, não somente o texto da Escritura, mas também as realidades e os acontecimentos de que ele fala, podem ser sinais). O sentido espiritual pode ser: 1) alegórico (ver os significados dos acontecimentos em Cristo; ex.: a travessia do mar vermelho é um sinal da vitória de Cristo, e também do Batismo); 2) moral3) anagógico (podemos ver realidades e acontecimentos em sua significação eterna, conduzindo-nos à nossa Pátria; a Igreja na terra, dessa maneira, é sinal da Jerusalém celeste). (o sentido significado pelas palavras e descoberto pela correta interpretação, que tem suas regras, e que depois as veremos; todos os sentidos da Escritura devem ter seu fundamento neste) e do (os acontecimentos relatados na Sagrada Escritura devem conduzir-nos a um justo agir);

– A Reforma Protestante introduz uma tensão entre a compreensão pessoal e o texto em si mesmo. Falta, neste caso, uma mediação da Igreja, que ajude a armonizar os dois fatores. No protestantismo há uma interpretação pessoal e individualista da Sagrada Escritura, o que contribui enormente para que haja tantas comunidades, cada uma com a Bíblia, cada uma com interpretações divergentes.

São Agostinho tem uma frase muito bela que nos mostra a importância da Igreja na adesão à Escritura Santa: Ego vero Evangelio non crederem, nisi me catholicae Ecclesiae commoveret auctoritas – Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a autoridade da Igreja Católica.

E quais são os critérios para uma correta interpretação da Bíblia? Diz o Catecismo (a partir do nº 109) que na Sagrada Escritura Deus fala aos homens à maneira dos homens.intenção dos autores sagrados, para isso há que levar em consideração as condições da época e da cultura deles, os gêneros literários em uso naquele tempo, os modos, então correntes, de sentir, falar e narrar. Para uma interpretação conforme o Espírito que inspirou a Escritura o Concílio Vaticano II dá três critérios: 1) prestar muita atenção ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira (não se pode pegar um versículo e isolá-lo do todo, isso fazem os protestantes), a Bíblia é una por causa da unidade do projeto de Deus, do qual Jesus Cristo é o centro e o coração, daí que os Evangelhos sejam também o centro e o coração das Escrituras; 2) ler a Escritura dentro “da tradição viva da Igreja inteira”, já que a Igreja leva em sua Tradição a memória viva da Palavra de Deus e é o Espírito Santo que dá à Igreja a interpretação espiritual da Escritura; 3) estar atento “à analogia da fé”, por analogia da fé entendemos a coesão das verdades da fé entre si e no projeto total da Revelação, sendo assim não pode haver nunca uma contradição entre o que se lê na Bíblia com alguma verdade que a Igreja firmemente crê. Precisamos portanto descobrir a

3. “São João Crisóstomo chama as Sagradas Escrituras de cartas enviadas por Deus aos homens… São Jerônimo exortava a um amigo seu que lesse as divinas Escrituras com frequência e que nunca abandonasse tal leitura.
“O Concílio Vaticano II recomenda insistentemente a leitura assídua da Sagrada Escritura para que adquiram a ciência suprema de Jesus Cristo (Fl 3,8), pois desconhecer a Escritura é desconhecer a Cristo (S.Jerônimo)” (Antologia de Textos, pág.1308). Aconselho a que façam a experiência pessoal de ouvir ler a Sagrada Escritura ou de escutá-la na Sagrada Liturgia com espírito orante e, a continuação, se estiverem na Santa Missa, a fazer da homilia um momento de oração, de conversa com Deus.

Diz São Tomás de Aquino que “depois que uma pessoa estuda a Escritura torna-se uma pessoa sensível, ou seja, adquire o discernimento e o gusto da razão para distinguir o bem do mal, o doce do amargo”. Para amar a Cristo há que conhecê-lo. Ninguém ama aquilo que não conhece. O amor cresce à medida que nós conhecemos mais. Ainda que também é verdade que o próprio ato de amar dá um conhecimento que nós podemos chamar sapiencial porque é cheio de sabor. Dessa maneira, há que conhecer para amar e há que amar para conhecer mais ainda.

“São Paulo dizia aos primeiros cristãos: A Palavra de Deus é viva e eficaz… é sempre atual, nova para cada ser humano, nova a cada dia, e, além do mais, é palavra pessoal porque vai destinada expressamente a cada um de nós… Jesus Cristo continua a falar-nos. Suas palavras, por ser divinas e eternas, são sempre atuais. Ler o Evangelho com fé é crer que tudo o que lá se diz está, de alguma maneira, acontecendo agora. É atual a ida e a volta do filho pródigo; a ovelha que anda perdida e o pastor que sai a buscá-la; a necessidade do fermento para transformar a massa e da luz para que ilume a tremenda escuridão que, às vezes, vem sobre o mundo e sobre o homem.” (Antologia de textos, id.)

São Josemaría Escrivá aconselhava a ler o Evanglho como se fôssemos um personagem a mais. Dessa maneira, na gruta de Belém eu posso ser um dos pastores; nas bodas de Caná eu posso ser o fotógrafo; na passagem do jovem rico eu mesmo posso ser esse jovem; na multiplicação dos pães eu até posso ver a cara de pasmo que os discípulos devem ter feito ao verem tão poucos pães e tão poucos peixes alimentarem tamanha multidão, eu também com eles me admiro; na transfiguração, ainda que o Senhor tenha chamado consigo apenas três, eu posso ser o intrometido e curioso que os acompanha.

“No Santo Evangelho está escrita a história profunda de nossa vida; está escrita a história de nossas relações com Deus.

“O Evangelho nos revela o que é e vale a nossa vida e nos traça o caminho que devemos seguir. O Verbo – a Palavra – é a luz que ilumina todo homem (Jo 1,9). E não há ser humano ao qual não tenha sido dirigida esta Palavra… O Evangelho deve ser o primeiro livro do cristão porque é-nos imprescindível o conhecimento de Cristo; é preciso que o olhemos e o conetemplemos até que conheçamos a memória todos os seus traços.” (Antologia de textos, págs.1308-1309).

Dois propósitos:
– Estar mais atentos à proclamação da Palavra de Deus na Liturgia da Santa Missa;
– Fazer ao menos 5 minutos diários de leitura da Sagrada Escritura a começar pelo Novo Testamento.

Santa Maria, Sede da Sabedoria, interceda por nós.

(Pe. Françoa Costa – Setembro/07) – VEJA O LINK

Texto Publicado também em:

http://www.cursilhoanapolis.com.br/artigos/view/1



Semeando a cultura de Pentecostes



slaid: Elaborado por “Buscando novas águas” Liturgia Dominical.