Somos Templos do Espírito Santo.


Parte III

3. Os frutos do Espírito Santo



Quanto à presença do Espírito Santo em cada um, são os seus frutos que revelam na nossa vida o verdadeiro rosto do Espírito Santo. S. Paulo fala destes frutos várias vezes, ao longo das suas cartas. Ele multiplica os textos para mostrar que, de facto, o Espírito Santo tem a sua morada no coração de cada um. Temos efectivamente várias listas dos frutos do Espírito Santo. Nenhuma delas é conclusiva. S. Paulo semeia os frutos do Espírito Santo pelas diversas comunidades, conforme a situação em que cada uma vivia. Mas é claro, estas listas são listas abertas. As listas valem como exemplo e não pretendem ser exaustivas. O que os caracteriza a todos é que são o oposto ao espírito do mal.

Aos Gálatas, S. Paulo apresenta a lista mais completa. É quando fala da justificação pela fé que Paulo desenvolve a luta entre a carne e o espírito, mostrando os frutos tanto da carne como os do Espírito (Gal 5, 16-17 e 23,-25; Rom 7, 5-6). E entre os frutos do Espírito ocupa o primeiro lugar o amor.

O grande fruto do Espírito é o amor. O amor é mai s que s imples pr imei ro de uma enumeração: ele é o princípio gerador e englobante de todos os outros frutos: Porque Deus é amor e o amor de Deus chama-se Espírito Santo. Quem ama cumpre toda a Lei (Rom 13, 8). É o amor que faz a santidade do cristão. O amor de que se fala aqui é aquele que Deus espalhou nos nossos corações pelo Espírito que nos foi dado comunicação da santidade de Deus (Rom 5,5). É este Espírito que nos faz filhos de Deus: Ama e faz o que quiseres repetia Santo Agostinho.

Todos os outros frutos, a paz, a alegria, a paciência, a amabilidade, a bondade, a fidelidade, a modéstia, o domínio de si mesmo (Gal 5, 2) são frutos do amor. Estes frutos são resultado de uma colaboração entre a graça e a liberdade. Os frutos distinguem-se dos dons do Espírito Santo, pois os dons são diferentes segundo as pessoas, os frutos são idênticos para todos. Nem todos na Igreja podem ser apóstolos, profetas ou doutores, mas todos podem colher os frutos do Espírito Santo. Os frutos do Espírito Santo têm uma relação estreita com Cristo: O que permanece em mim terá muito fruto, diz o Senhor (Jo 15, 5). Ou seja, revelam o rosto de Cristo. A oração do cristão não é senão a incorporação na atitude orante de Cristo diante do Pai; quando um cristão sofre é Cristo que entra em agonia e quando se alegra é a manhã da Páscoa de Cristo Ressuscitado que vem ao seu encontro.

Estes frutos são certas qualidades que vemos nas pessoas e que nos fazem descobrir a presença do Espírito Santo nelas. A alegria, a paz, a bondade, de tal ou e tal pessoa são frutos do Espírito Santo. Quase podemos dizer que cada santo revela uma manifestação do Espírito Santo. O carisma dos fundadores dos institutos religiosos não é senão manifestações desse Espírito. S. Francisco e a bem-aventurança da pobreza, S. Luís de Gonzaga e a pureza do coração, Santa Teresa e a contemplação, S. Vicente de Paulo e a caridade, S. João de Deus e a hospitalidade, Teresa de Calcutá e os esquecidos das ruas, Cláudio Poullart des Places e os mais abandonados das sarjetas, Libermann e os escravos, etc. É nos santos que se revela o rosto do Espírito Santo. São eles que lavam a história. O Espírito Santo é, de facto, alguém que vive misturado connosco, que se confunde com os nossos irmãos.

A caridade e o amor – todos os gestos de caridade e amor, todas as provas de ternura e afecto, quando neles não há egoísmo nem interesse, são obra do Espírito Santo. A família é o primeiro cenáculo do Pentecostes.

A paz e todos os gestos de reconciliação, de perdão, de misericórdia e acolhimento, tudo o que é bem-aventurança do Reino de Deus acompanha a história dos homens. A história é, portanto, outro cenáculo do Pentecostes – a alegria e todos os gestos de partilha e de festa, de solidariedade e fraternidade, de unidade e comunhão, de louvor e acção de graças.

O Espírito Santo desperta nas pessoas o louvor da Santíssima Trindade, a bondade e tudo o que é dar as mãos, compreender, ajudar, acolher, servir, acudir, partilhar. A paciência e tudo o que é respeito pelo outro, dar-lhe o tempo a que ele tem direito, respeitar os seus valores e o seu ritmo, são sinais que o Espírito do Senhor está lá.

Vivemos hoje no mundo das novas tecnologias ; nas comuni cações , na informática, na genética, nas técnicas, .na robótica. Há hoje máquinas para tudo: para cozer, para lavar a roupa, para enviar mensagens, para marcar os itinerários, GPS, para fazer carros, etc.; só não há máquinas para amar, máquinas para consolar os tristes, máquinas para fazer companhia, máquinas para fazer justiça… senão o amor.

Não há “chips” que substituam o Espírito Santo. Constroem-se hoje pontes que unem todas as distâncias, todos os continentes, todos os espaços , que vencem todos os abismos. Só não há pontes para perdoar, para unir dois corações desavindos, para lavar as nossas faltas e fazer do homem velho uma pessoa nova… a não ser o amor. Somos capazes de ir à lua e saber tudo dos planetas, conhecer todos os segredos das células, mas não sabemos nada sobre o nosso vizinho, sobre quem encontramos todos os dias no autocarro, sobre a vida de quem nos estende a mão.

É o Espírito Santo que lava a história e faz dela o jardim onde Deus vem ter connosco todos os dias, pela brisa da tarde.


Pe. A. Torres Neiva C. S. Sp.

http://www.pneuma-rc.pt/


Leia Também os complementos:

1. Todo o cristão é chamado à perfeição da santidade!

2. Os dons do Espírito Santo

3. Os frutos do Espírito Santo

4. O grande dom é o próprio Espírito Santo

Outros temas relacionados


http://mongefiel.files.wordpress.com/2008/05/frutos-do-espirito.jpg

O Bom Fruto

Do Espírito Santo.



Semeando a cultura de Pentecostes



3 Respostas

  1. […] Este é o grande segredo: Um segredo que já foi revelado por Jesus e experimentado pelos Apóstolos no dia de Pentecostes confirmando que o Espírito de Deus está em mim, vive e age em mim. […]

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  2. […] Nosso corpo é templo do Espirito. Ele tem também que passar pela poda para tornar-se um instrumento a serviço do Reino. Por isso […]

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  3. […] o Espírito Santo que convence o mundo do pecado, da justiça e do julgamento (Jo 16, 8). O Espírito Santo habita em nós pela nossa obediência (At 5,32). É o Espírito Santo que derrama em nossos corações o amor de Deus (Rm,5,5). A graça […]

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