Como ser um “servo” e Ministro da Música ?

Ao Conhecer o testemunho de vida de Martín Valverde, onde ele conta que sua mãe ficou grávida ainda muito jovem, muito preocupada com o seu futuro foi até uma Igreja e em um momento de oração consagrou seu filho ao Senhor dizendo:

“Sei que esta criança que está em meu ventre é muito mais tua do que minha…”

Desta forma, praticamente reconheceu que seu filho pertencia a Deus e fez questão naquele momento de consagrá-lo ao Pai de toda criação e jamais interferir em seus caminhos.

Mesmo antes de chegar o tempo de seus estudos, ingressou-se no Colégio Salesiano Dom Bosco, onde foi praticamente instruído e conduzido nos caminhos do Senhor e da Música Católica.

Um de seus aprendizados mais importantes com Dom Bosco foi um de seus maiores lemas:

“A Igreja sem música era como um corpo sem alma”.

Como ele demonstrou ter o dom de Deus para a música, aprendeu cada vez mais e se tornou um grande músico de Deus como é hoje, com grandes canções que tocam o mais profundo de nossa alma.

Este aprendizado de Martin Valverde, muita vezes nos falta e nossos músicos de hoje que praticamente conhecem Jesus nos encontros  da “RCC” ou simplesmente adentram o ministério através de grupos de Igreja que cantam nas “Missas Dominicais”, que nem sempre são preparados para assumirem esta função ou ministério e acabam por misturar o Santo com o Profano, não por que querem, mas porque lhes falta instrução e discernimento para tal.

Encontrei hoje também um ótimo texto do Padre Roberto Lettieri “Canção Nova” que leva os Músicos Católicos a meditarem um pouco neste assunto.

Gostaria de salientar apenas, para aqueles que gostam de reclamar do zêlo de Padre Roberto Lettieri que São Paulo num passado longinquo já dizia a mesma coisa.

Tudo me é permitido,

mas nem tudo convém.

Tudo me é permitido,

mas eu não me deixarei

dominar por coisa alguma.

(I Coríntios 6,12)

.

Foto: Robson Siqueira – CN

‘O músico católico não é um produto’

Hoje é muito difícil pregar para agradar a todos. E a catolicidade da Igreja, hoje, é muitas vezes usada de maneira errada. A música católica é expressão de vida, de grande amor por Jesus, e contém esse caráter de expiação, de dor, amor e alegria pelo Senhor. E nós, e aqueles que são chamados a dar a vida através da música, precisamos conhecê-la.

Busquei algumas coisas sobre a música sacra dentro da nossa Igreja neste livro do Padre Gabriele Amorth, que nos ensina a cantar com a nossa vida.

O que é profano não tem como entrar, pois não consegue aderir ao sagrado que é a Igreja. É como água e óleo. Nós não temos a intenção de condenar a ninguém, mas sim que todos tenham um encontro pessoal com o amor do Senhor. Nós queremos orientar.

Este livro, todo músico católico deveria ler. “É certo, porém, que a música que leva o coração a adoração em Espírito e Verdade, não pode levar ao êxtase e a sensualidade”.

Vejam, amados jovens. Vocês que gostam do rock, axé e samba. É muito difícil purificar essas coisas, porque o ritmo vai expressando a sensualidade do corpo. E nós vamos pensando que tudo é em nome da conversão. Cuidado!As seitas também fazem isso.

Outra realidade que hoje também é muito perigosa: perder a simplicidade. Cuidado com o modo de vestir e a sensualidade nas roupas para cantar.

Eu gostaria que vocês lessem esse artigo de pesquisas realizadas que mostram jovens batendo a cabeça uns nos outros nos shows de música católica. O músico católico é aquele que canta a sua vida, canta a Tradição da Igreja, aquilo que ele crê. Eu canto para a glória da Igreja, e não para o meu interesse pessoal. E é preciso escutar as orientações da Igreja.

Eu estou falando como pastor. Cuidado! Nós não precisamos imitar o que é profano. O Espírito Santo pode nos dar o que é mais lindo. Por isso, o músico deve cantar a Deus, cantar a dor. É preciso cantar a renúncia, que damos o nosso suor naquilo que vivemos.

Eu não sou ministro de música. Sou um sacerdote de Deus, como tantos neste Brasil. Mas o que queremos é cada vez mais honrar a nossa música católica. Por isso, não cabe música protestante na nossa Liturgia Católica. Não podemos abrir para termos aquilo que não acredita na Liturgia Católica, que é do céu.

O musico católico não é um produto. Não se sinta um produto. O seu canto não é um produto, porque de graça recebemos, de graça damos.

Hoje, muitos dos nossos pobres não têm acesso à música católica e não podem mais ir a um show, porque não podem pagar. Muitas vezes, imitam-se as coisas do mundo, de que é preciso ganhar dinheiro. E o Senhor disse: “de graça recebestes, de graça deveis dar”.

É preciso a comunhão no mundo da música católica. Um grupo evangélico construiu um grande estúdio de gravação só para eles, com os direitos autorais de músicas que um padre gravou. Não é verdade que para a Igreja Católica pode tudo, que pode colocar todos os ritmos na liturgia Isso não é verdade, porque ela tem a sua essência. E é para o louvor da Igreja que estamos aqui.

O Senhor faz passar a reparação pelo coração dos cantores e das cantoras católicas, porque o nosso cantar é único. E não é orgulho não, é muito da nossa alma. E o nosso tesouro é imenso. Não copie o que é profano.

Com muito amor, diz o padre Gabrielli, que o rock é um grito de rebeldia do demônio contra Deus. E isso fica muito claro nas músicas de rock satânico. A conversão é um dom de Deus e não depende daquilo que você está escutando.

E disse o nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI: “Sem recolhimento não há profundidade”. E o Espírito Santo tem falado porque a juventude não tem se convertido como antes. Não estou falando de silêncio exterior, mas de recolhimento interior. Por que você precisa ouvir o que Deus está falando a você naquele momento de uma música de louvor.

Quando eu ia aos encontros de louvor, quando o músico falava, quando ele fechava os olhos, a música ficava em segundo lugar, porque ele estava ali expressando a busca de santidade da sua vida, que é o que leva a conversão. Se houver uma contradição entre as duas formas de comunicação – a verbal e aquilo que a pessoa está vendo – o que a pessoa vê, fica abatido por aquilo que se está ouvindo.

O rock religioso leva o seu seguidor de volta ao rock secular. Filho e filha, o Hallel é uma certeza de que muitos jovens serão levados a um impacto com Deus. E os jovens querem chegar aqui e ter um impacto com o céu. Aqui, eles querem encontrar o novo, porque o que era velho se faz novo. E o magnificat da Virgem deve ecoar em todo este lugar, deve arrastar o jovem que está nas drogas, na prostituição para este lugar. Que eles venham, porque aqui eles vão encontrar Deus.

A Igreja Católica não precisa de artistas, mas de santos. A juventude precisa escutar aquilo que é de Deus e não aquilo que eles querem escutar. Nem tudo é mel, mas tem também a dor da picada da abelha. É preciso a dor. E não dá para cantar axé, rock sem que o ritmo os leve à sensualidade. Quantos pecados entram por causa do ritmo do rock… Porque a porta está aberta.

Você não veio aqui só para se divertir. Canta para Deus!

Transcrição: Célia Grego – Canção Nova

 

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Padre Roberto Lettieri

Fundador da Fraternidade Toca de Assis que tem como principal carisma a adoração ao Santíssimo Sacramento e o acolhimento aos mais necessitados. Prega diversos encontros e retiros por todo o Brasil.

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