PENTECOSTES É UM PRESENTE DE DEUS PARA NÓS !



Pois a promessa é para vós, para vossos filhos e para todos os que ouvirem de longe o apelo do Senhor, nosso Deus. (Atos 2, 39)



Querido amigo:


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Breve será comemorado mais um domingo de Pentecostes, em minhas orações matinais, meditando sobre este inefável presente de Deus, por intercessão de Seu Filho (e nosso particular amigo) Jesus, concluí exatamente isto: O Espírito Santo de Deus foi um grande presente d’Ele para nós. Um presente de amigo, sinal de Sua amizade por todos nós: filhos e filhas de Deus e Seus irmãos! A partir daí comecei a refletir sobre a importância da amizade em nossas vidas, e, naturalmente, pensando na nossa amizade (que eu também considero um grande presente de Deus), querido Demerval, resolvi, mais uma vez, partilhar com você – que faz parte um grupo especial de amigos e amigas – estas minhas reflexões que, espero, possam também lhes serem úteis. ….. Que o Espírito Santo de Deus possa, cada vez mais, estreitar a nossa amizade, a qual eu considero também um dom de Deus.

Kater Filho


UM PRESENTE DE AMIGO!


Refletindo sobre o presente de Pentecostes, percebi que este foi um gesto profundo de amizade de Jesus para com os Seus discípulos e para todos que, por meio de seus testemunhos, viessem a acreditar n’Ele e no Seu Evangelho, grupo seleto do qual cada um de nós, cristãos, faz parte, portanto um presente especial para cada um de nós!

Um gesto natural de amizade do verdadeiro amigo, que nunca abandona os que nele confiam: “Não vos deixarei órfãos. Voltarei a vós”. Jo 14, 18. Jesus Ressuscitado voltou a conviver com eles por mais 40 dias e, após ter cumprido este período, voltou ao Pai, mas, por ação do Espírito Santo deixado – e pela Eucaristia – permanece vivo em seus corações.

Diante disso passei a refletir sobre a importância da amizade entre nós, concluindo que, infelizmente, à medida que a tecnologia e a informática, aliadas à inteligência humana, facilitam a aproximação das pessoas, permitindo, cada vez mais, a comunicação entre elas, paradoxalmente as criaturas humanas sentem-se cada vez mais sós e isoladas dentro de suas “ilhas virtuais”.

É preocupante percebemos como, até mesmo dentro de uma família estabilizada, a solidão se instala na vida das pessoas. Eu e minha esposa costumamos dizer – nos retiros que pregamos para casais por este Brasil – que hoje a sociedade constitui “familhas” com “ilh” no lugar de “i” porque, na prática, são agrupamentos de pessoas isoladas como verdadeiras ilhas.

Dizemos família arquipélago que, na vida real, é um conjunto de ilhas que, convenientemente, vivem sob um mesmo teto minimizando as despesas comuns, partilhando algumas dependências da casa, mas que na verdade têm, cada uma delas, a sua maneira particular de pensar, de agir e de viver, não se importando muito com o que as outras ilhas façam, desde que essas, por sua vez, também não interfiram em sua vida pessoal. Observo o mesmo comportamento em algumas congregações religiosas..

Ora, amigos e amigas, isto não é, em hipótese alguma, o modelo de família (nem de comunidade religiosa) que Deus propôs à humanidade: um ambiente de partilha, de interação, enfim de amizade entre os seus membros e nunca de isolamento. Este isolamento, voluntário ou não, gera o individualismo que rapidamente evolui para o egoísmo que, por sua vez, bloqueia o desenvolvimento natural da amizade entre as pessoas!

As criaturas, neste anônimo e codificado mundo informatizado de hoje, mais do que nunca, anseiam por amizades verdadeiras! Os papos nos chats, as organizações virtuais tipo Orkut e outros sites, tentam, mas, felizmente, não satisfazem a nossa necessidade de cultivarmos amizades sérias e comprometidas. Amizades onde, pela convivência, aprendemos a conhecer, respeitar e amar profundamente o outro!

Como é bom podermos contar com amigos verdadeiros ao nosso lado! Amigos não têm preço, pois uma amizade é inestimável! Assim a Palavra de Deus, descreve a amizade: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel, nem mesmo o ouro nem a prata podem a ele ser comparados”.  (Eclo 6, 14 – 15).

Depois das denominações: Deus, pai, mãe, irmãos, irmãs, filhos e filhas, as palavras amigos e amigas são as que mais têm um significado especial para todos nós, mesmo porque a amizade, em muitos momentos de nossas vidas, chega a valer mais do que a própria consanguinidade! Quantos de nós já não experimentou isso? idioma



Ora o que é um amigo? Amigo é aquela pessoa com quem nós podemos contar em qualquer circunstância, como dizem os noivos nas celebrações matrimoniais: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e por todos os dias de nossas vidas. Aliás, se na vida conjugal não for cultivada uma sólida amizade entre o casal, independentemente da atração física e sexual, o casamento correrá sérios riscos de naufragar durante o seu decurso…

Casais apaixonados, acima de tudo, necessitam ser casais amigos. A amizade antecede o amor conjugal, pois o amor sólido e verdadeiro nasce e cresce a partir de uma sincera e gostosa amizade entre um casal. A paixão meramente física, mais cedo ou mais tarde, arrefecerá na vida dos cônjuges, debalde haja, da parte de ambos, um esforço válido e necessário para manter viva a atração sexual no casamento.

Sabemos que a natureza tem o seu ciclo evolutivo e nós, simples mortais, por mais que nos esforcemos na tentativa de protelar a natural falência de nossos órgãos e sentidos, cuidando de nossa saúde, evitando abusos desnecessários, tomando medicamentos modernos, nos exercitando, acabamos nos rendendo à infalível e cruel senilidade que, muitas vezes, nos prostra e nos faz pessoas totalmente dependentes das outras…

É aí que entra a amizade que suplanta todas as barreiras e serve, incondicionalmente, a pessoa amiga que dela precisar. Atendendo a casais em crise, podemos perceber nitidamente, o descuido dos conjugues quanto ao cultivo de uma boa amizade desenvolvida paralelamente ao desabrochar da natural paixão física e carnal.

Detectamos uma deficiência nefasta, porém muito comum, nas relações modernas: a grande dificuldade dos cônjuges de renunciarem, em benefício do próprio casal, às suas vontades, aos seus caprichos, ao seu conforto, à sua realização profissional, às suas convicções, seus hobbies, seus vícios, suas manias, seus desejos, seus sonhos, enfim a tudo o que acreditam ser seus direitos.

Ainda há poucos dias vimos, noticiado pela mídia mundial, um “relacionamento” iniciado, e celebrado com luxo e pompas, por um famoso jogador de futebol e uma modelo, terminar antes mesmo de se completar três meses! A causa? Não precisaríamos indagar, certamente estará relacionada a fatores que apontamos no parágrafo anterior…

No fundo, no fundo mesmo, poderíamos dizer que faltou a eles – e também a tantos casais que se casam nos dias de hoje, sem tempo suficiente até mesmo para se conhecerem – o desenvolvimento de uma boa amizade, antes de haver uma conjunção física e carnal, e o compromisso de uma união duradoura, até que a morte os separe.

A alegação comum e freqüente, nestes casos, é de que estes “direitos” – os quais se recusam a renunciar – são inerentes à sua vida, ou seja – como afirmam – são a “sua própria vida” e, por isso, “deles não abrem mão em hipótese alguma”, mesmo sob o risco de destruírem os seus lares. Falta-lhes a amizade sincera que é capaz de renunciar a tudo em benefício da pessoa amiga. Aliás, amizade é sinônimo de amor!


Sinônimo do mais puro amor que possa brotar do coração humano; diríamos do amor que mais se assemelha ao infinito e inesgotável amor de Deus por nós, seus filhos e filhas. Do amor que, teologicamente, identificamos como o Amor Ágape, que quer dizer o amor incondicional, o amor sem limites, o amor sem censuras! O Amor que Deus espargiu nos corações humanos no dia de Pentecostes.

Este Amor – verdadeiro presente de amigo – que o Espírito Santo de Deus derramou sobre a humanidade se origina da videira Jesus, que, num sinal de amizade por todos aqueles que Deus Lhe confiou, não os abandonou, quando precisou voltar para a casa do Pai. Ao contrário, rogou e o Pai enviou, em seu lugar, o Espírito Santo que trouxe em seu bojo o mais puro amor que a humanidade, até então, jamais havia experimentado!

O amor existente entre amigos verdadeiros é o da melhor cepa, o mais puro amor, o amor que nada exige em troca, um amor que é pura gratuidade e que se regozija apenas ao ver a alegria e a felicidade do outro, pelo qual nutre a amizade. Se formos buscar na Bíblia referências para este amor, as encontraremos na primeira Carta aos Coríntios, onde São Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, decodifica, em 15 gestos concretos, o Amor Ágape.

Gestos, como poderemos verificar, comuns entre os amigos verdadeiros. Tão comuns que nos permitem substituir, no texto, o vocábulo amor pela palavra amizade e que diz:

“A amizade é paciente, a amizade é bondosa. Não sente inveja. A amizade não é orgulhosa. Não é arrogante. Nem escandalosa. Não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. A amizade jamais acabará”. I Cor 13, 4-8.

Diante deste sábio texto bíblico, diríamos até, deste belíssimo poema divino, penso ser desnecessário tecer maiores comentários sobre a amizade, sob o risco de nos tornarmos redundantes. Resta-nos apenas, neste dia de Pentecostes, relembrarmos que o envio do Espírito Santo sobre nós foi, acima de tudo, um gesto de amizade de Jesus por todos nós.

Esta Sua amizade por nós está registrada no Evangelho de João quando, em Sua despedida, Ele amorosamente disse aos discípulos presentes (extensivo a nós que os sucedemos na missão): “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constitui para que vades e produzais frutos e o vosso fruto permaneça”. Jo 15, 15-16.

Obrigado Amigo, que Deus continue abençoando você e me permitindo privar, por muito tempo ainda nesta vida, de sua amizade sincera, fiel e verdadeira. Você, a quem Jesus chama de amigo, e eu considero um amigo verdadeiro, está, todos os dias, em minhas orações!

Antonio Miguel Kater Filho em 13/05/2005


https://presentepravoce.files.wordpress.com/2010/03/invocacao_espirito.ppt


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5 Respostas

  1. […] entre esta Infusão do Espírito e a Efusão do Espírito. Pelos sacramentos é-nos garantida a graça do Espírito. Mas o Espírito é livre e não opera apenas naquele momento que recebemos os sacramentos pela […]

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  2. […] PENTECOSTES É UM PRESENTE DE DEUS PARA NÓS ! CNBB – Documento Oficial sobre o direcionamento Pastoral para a RCC no Brasil. […]

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  3. […] a consciência; a inteligência; a liberdade; a capacidade de amar e outras… Que são os Dons “presentes” mais preciosos de Deus para […]

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  4. Como um humilde Católico praticante, fico gratificado pelo belíssimo texto que abado de ler a respeito do dia de Pentecostes, da misericórdia de Deus por todos nós e muito feliz por ser católico!

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