Discurso de Pose de Dom João Wilk.


Diocese de Anápolis, 14.08.2004

“Tenho por prumo a fidelidade ao eterno e imutável depósito da fé, herdado dos apóstolos. Tenho por linha a fidelidade ao atual Magistério da Igreja. Com estas ferramentas, quero trabalhar e ajudar a Igreja a crescer.” “destaque do texto”

Amados irmãos e irmãs em Cristo,

1. As minhas primeiras palavras dirijo, como palavras de saudação, ao Excelentíssimo e Reverendíssimo Dom Lourenço Baldisseri, digníssimo Núncio Apostólico no Brasil. Agradeço de coração a sua presença neste ato do meu ingresso canônico na Diocese de Anápolis. A sua presença me alegra, conforta e faz jus ao seu lema episcopal: “Itinere laete servire Domino” – “Indo, alegremente, servir ao Senhor”.

Temos diante de nós, na sua estimada pessoa, a imagem do nosso querido Santo Padre o Papa João Paulo II. No mundo atual, marcado pela profunda e devastadora crise de valores, temos na pessoa do Papa um guia certo e seguro, ponto de referência e fonte de esperança. Quero caminhar em sintonia com o Santo Padre. Reafirmo a minha obediência à Santa Mãe Igreja e o meu profundo respeito pelo Magistério do Papa.

2. Saúdo o Excelentíssimo Sr. Governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, e todas as autoridades presentes neste ato de fé e de cidadania (citar os nomes). Sr. Governador, mais uma vez tenho a oportunidade de manifestar a minha amizade pessoal e destacar o que mais admiro na sua pessoa: o irmão na fé, um homem íntegro, de profunda personalidade, talentoso estadista, administrador de rara competência, hábil político e digno cidadão. Seja bem-vindo!

3. Saúdo os Excelentíssimos Senhores Arcebispos e Bispos presentes (citar os nomes).

4. O meu carinhoso abraço aos já amados padres desta Diocese de Anápolis. Chamar os sacerdotes de primeiros colaboradores não é para mim apenas um slogan ou uma verdade teórica. Desejo ver em cada um de vocês, caros presbíteros, na diversidade de temperamentos e de sensibilidades, um irmão e precioso instrumento, escolhido e chamado por Deus para a construção do Reino.

5. Quero saudar os diáconos, bem como as religiosas e religiosos, cada uma e cada um na sua realidade de vocação e de carisma.

6. A presente cerimônia do início canônico do meu pastoreio em Anápolis coincide com a festa de São Maximiliano Maria Kolbe, mártir da caridade, da Ordem dos Frades Franciscanos Conventuais. Nessa Ordem, tive a oportunidade de iniciar o meu caminho vocacional. Foi em Niepokalanów, convento-cidade, que descobri a beleza da vida franciscana, da vida consagrada e sacerdotal. Percorro hoje, como num filme, as diversas etapas daquele convívio e, refletindo mais uma vez sobre o seu heróico testemunho, procuro na sua herança espiritual a inspiração para o meu ministério, para melhor servir a Deus, à Igreja e aos irmãos.

7. São Maximiliano, ainda jovem seminarista, escreveu no seu diário: “Quero ser santo, e um grande santo!”

Hoje, a Igreja no Brasil, propõe o novo Projeto Nacional de Evangelização e coloca como principal meta da ação evangelizadora a SANTIDADE. Ser santos, eis o nosso ideal! O projeto “Queremos ver Jesus” nos fala da evangelização da pessoa. A vocação à santidade coincide com o encontro pessoal com Cristo. Evangelizar não é outra coisa a não ser ir ao centro do coração humano e lá colocar o nome de Jesus. Este Jesus, então, torna-se o único centro de interesse e a mais profunda motivação do nosso ser e agir. E isso é a santidade!

8. Entre os caminhos para a santidade, e um forte sinal dos tempos, está a vivência da COMUNHÃO e a construção da comunidade. Ser comunidade está no próprio conceito de povo de Deus. Jesus, na sua oração após a instituição da Eucaristia, pede ao Pai que conserve na união os que Lhe deu, “para que o mundo creia”. Esse pedido é, para nós, uma orientação e um forte apelo.

Se a santidade é a carteira de identidade do cristão, a comunhão é a sua idoneidade. Ninguém é cristão sozinho. Não se é cristão sem ser comunhão. Para ser Igreja, é preciso conhecê-la e amá-la. É preciso se identificar com ela. É preciso sentir, pensar e agir com ela e como ela.

Percebo na realidade eclesial de Anápolis uma Igreja multifacial. São muitas espiritualidades, muitas formas de viver a fé e de pertencer à Igreja. Na legítima diversidade, há de transparecer o testemunho de unidade, a ser construída em todos os níveis: na obediência ao Papa e ao seu ministério, com a CNBB, no nosso Regional e na diocese, entre os bispos, padres, religiosas e religiosos, entre as pastorais e movimentos. Precisamos sobrepor o sentido comum da Igreja às nossas preferências pessoais.

Entre essas formas de comunhão, quero destacar a comunidade presbiteral. A exemplo da comunidade apostólica, o presbitério diocesano deve ser o modelo de todas as outras formas de comunidade na diocese. A responsabilidade pessoal pelas diversas frentes de apostolado leva, muitas vezes, ao individualismo e a um conceito deturpado de autonomia. Precisamos assumir juntos a única missão, trabalhar na mesma direção, formar uma fraternidade presbiteral efetiva e afetiva.

Quero acentuar ainda que, para a eficácia da evangelização, é necessário construir pequenas comunidades de fiéis, sejam elas em forma de pastorais e movimentos, sejam grupos de interesse ou de vizinhança. Na própria organização das paróquias, há de se programar até a presença de templos (igrejas e capelas) que sejam sinais visíveis da presença da Igreja nos bairros e pontos de assistência religiosa próximos dos moradores.

9. O santo de hoje, São Maximiliano Kolbe, recebeu o atributo de “mártir da caridade”, por ter doado sua vida para salvar a vida de um pai de família, no campo de concentração nazista de Auschwitz, na Segunda Guerra Mundial. Questionado sobre o motivo da sua entrega, disse: “Porque sou sacerdote católico”. Não foi esse gesto isolado que o levou às honras dos altares. Tal ato apenas coroou a longa trajetória rumo à santidade. Não haveria o gesto heróico se não houvesse um esforço constante para alimentar em si o desejo de se assemelhar em tudo a Cristo.

De Cristo, que veio para servir e não para ser servido, e de Maximiliano, com o seu “quero morrer no lugar deste homem”, aprendemos que o caminho da santidade passa pelos gestos concretos de solidariedade e de SERVIÇO. A fé precisa ser autêntica. Para ser autêntica, precisa ser concreta e visível nos gestos de amor, na atitude de inclinar-se sobre o irmão em necessidade. Penso no que seria a atitude de serviço no momento presente, aqui e agora…

Em primeiro lugar, é um movimento de amor de dentro para fora, motivado pela fé. É ir de si para o outro. É o amor que se expande e devolve a dignidade de pessoa humana e de filho de Deus aos indigentes e aos excluídos.

É serviço proclamar e defender, oportunamente, a verdade acerca do homem e dos valores, a partir dos pressupostos da fé, da razão e do direito natural.

Penso, antes de tudo, no direito à vida. A propaganda frenética, colocada a serviço de interesses financeiros de alguns grupos, por meio dos discursos sentimentais e superficiais, consegue convencer os desavisados, em prejuízo das verdades mais sólidas e mais profundas. Mesmo incompreendida e perseguida, a Igreja presta serviço à humanidade lembrando e defendendo os valores que jamais podem ser esquecidos. No “inferno de ódio”, como foram chamados os campos nazistas, muitos se resignaram e desistiram de viver como seres humanos. São Maximiliano não se dobrou diante dessa pressão que tornava o ódio e o medo algo comum e normal. Morreu, mas não esqueceu o amor! Morreu, mas não esquecer a verdade!

Por serviço entendo ainda o diálogo com a sociedade organizada: autoridades, diversos segmentos da sociedade, classe empresarial e classe trabalhadora que, nesta cidade de Anápolis, diante do forte crescimento econômico, adquirem traços marcantes.

Por serviço entendo também o diálogo ecumênico e inter-religioso. A busca da unidade é o selo de uma religião verdadeira. Significa levar a sério a vontade de Jesus, o seu testamento: que todos sejam um. Precisamos refletir sobre isso, precisamos depor as armas de agressão, de proselitismo, de ódio, de instrumentalização dos sentimentos religiosos para fins pessoais e até políticos, sempre no respeito mútuo e na verdade.

10. A Igreja é também MISSIONÁRIA. Anunciar Jesus é a nossa principal tarefa. A comunidade evangelizada torna-se evangelizadora. “Ide e evangelizai” – é o que Jesus pede a nós. Não é uma tarefa exclusiva de alguns. É o dever de cada batizado.

Há muitas pessoas que ainda não conhecem Jesus. Há muitos que ainda não são Igreja. Há novas realidades, onde Deus ainda não é conhecido, nem aceito.

Há irmãos, próximos e distantes, que esperam por nossa ajuda concreta, por nossa solidariedade para organizar a sua vida religiosa. Penso e pergunto se a Diocese de Anápolis não se poderia tornar uma Igreja-irmã, adotando uma diocese na Amazônia ou em outra região de maior necessidade.

11. Permitam-me, irmãos e irmãs, um momento de sinceridade e franqueza. Há pessoas que perguntam se sou conservador ou progressista… Pessoalmente, acho inadequada tal distinção, porque a realidade da Igreja é muito mais ampla do que essas duas palavras. Se por conservadorismo se entende o amor e a salvaguarda dos valores humanos e religiosos, eu sou conservador. Se pelo mesmo se entende apego às coisas secundárias e já superadas, eu não o sou. Se por ser progressista se entende o compromisso de fé e de verdade com novas realidades e desafios, eu sou progressista. Mas se consiste em ter atitudes discordantes ou de simples contestação, eu não o sou.

É-me muito cara a parábola do pedreiro. Para exercer bem a sua profissão, usa a linha e o prumo. Simples e eficaz. Linha e prumo levam o profissional à perfeição.

Tenho por prumo a fidelidade ao eterno e imutável depósito da fé, herdado dos apóstolos. Tenho por linha a fidelidade ao atual Magistério da Igreja. Com estas ferramentas, quero trabalhar e ajudar a Igreja a crescer.

12. Quero, neste momento, externar a minha admiração e a minha gratidão a Dom Manoel Pestana Filho, de quem me tornei sucessor pela determinação da Santa Igreja. Foram 25 anos de pastoreio dedicado, marcado pelo testemunho de coerência e autenticidade. Agora está recebendo a merecida coroa de reconhecimento (não ainda de glória…). A rica contribuição que deu à Igreja anapolina será uma boa semente que perdurará e produzirá os frutos que Deus quiser. Peço para Dom Manoel, em sinal de reconhecimento e de gratidão, uma calorosa salva de palmas.

13. Para concluir, permitam-me uma palavra de agradecimento à Diocese de Formosa, que deixei para abraçar Anápolis. Formosa foi a minha escola de bispo. Agradeço ao povo e aos sacerdotes pela bondade, amizade, carinho e pela formosa caminhada na fé. Terei saudade das lindas tradições, das vastidões e amplos horizontes, das grutas do Parque de Terra Ronca, dos ventos da Chapada dos Veadeiros, dos bosques de pequi… Muito obrigado, amigos! Muito obrigado, Formosa!

14. Convido, neste momento, todos os presentes a consagrar, junto comigo, a Diocese de Anápolis a Maria Imaculada, Mãe nossa e ideal de São Maximiliano Kolbe: (segue a consagração).

Praça Bom Jesus, s/n – Caixa Postal 178

75001-970 ANÁPOLIS – GO

http://www.diocesedeanapolis.org.br

VIDE TEXTO ORIGINAL NA PAGINA OFICIAL DA DIOCESE DE ANÁPOLIS – GOIAS

3 Respostas

  1. […] Acompanhe o Discurso Completo de Pose de Dom João Wilk. […]

    Curtir

  2. […] Acompanhe o Discurso Completo de Pose de Dom João Wilk. […]

    Curtir

  3. Ola sera que voce pode por meu blog naa lista de sites recomendados?

    http://catoliconet.info

    Curtir

Deixar um Comentério aqui.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: