Madre Teresa de Calcutá, também teve seu dia difícil.


A “noite escura” de Madre Teresa de Calcutá.



Com grande repercussão mundial o Padre Brian Kolodiejchk, postulador da causa de canonização da Madre Teresa, apresentou ao Papa uma cópia de «Venha, seja minha luz», o livro de cartas privadas da Madre Teresa de Calcutá. O livro revela o conteúdo destas cartas, onde se faz patente a «noite escura» vivida pela beata. O livro vem sendo muito comentado mundo afora, máxime pela revelação nele contida, de que Madre Teresa, assim como qualquer um de nós, também viveu sua “noite escura“, “crise de fé” com a diferença de que ela é uma Santa, e nós pobres pecadores. É claro que não estamos a falar de qualquer crise de fé, afinal um ser humano que viveu como ela, não pode ser comparado a qualquer um de nós. Citando uma certa passagem do livro, Pe. Kolodiejchk narra que há uma carta na qual ela diz: «Não, padre, não estou só, tenho sua escuridão, tenho sua dor, tenho uma terrível nostalgia de Deus. Amar e não ser amado, eu sei que tenho Jesus na união que não foi quebrada, minha mente está fixa n’Ele e só n’Ele». Noutro trecho do livro, em uma carta a Jesus, a beata escreveu: «Jesus, ouve minha oração, se isso te agrada. Se minha dor e sofrimento, minha escuridão e separação te dá uma gota de consolação, faz comigo o que queiras, todo o tempo desejes. Não olhe meus sentimentos nem minha dor». Veja você caro leitor, quanto mais aprofundava a dor de seu sofrimento, mais ela se entregava a Deus, ou seja, sempre bradou: seja feita a Tua vontade!

Clique aqui para ampliar esta imagem Uma santa mulher, uma santa verdade, qual seja, a vida dos que têm fé não é uma vida marcada só de certezas, mas também de muita dúvida, marcada por aquele “talvez” que nos fala o Cardeal Ratzinger, atual Papa Bento XVI, em seu livro “Introdução ao Cristianismo”. A beleza da fé está justamente aí, na dimensão da entrega total ainda que vivamos em uma “noite escura“. Paradoxo humano, paradoxo da fé, enfim, amor fruto de uma existência verdadeira e não repleta de mentiras e falseações. Quem vive de verdade, vive em meio a dias maravilhosos, noites lindas e também é claro, noites escuras, porque os homens de fé teriam de se livrar de tudo isto? Não somos também seres humanos? Quem já não teve a noite escura de sua fé? Na perda de uma pessoa querida: um filho, um pai, mãe, amigo, amiga, quando então, perguntamos, clamamos, Deus onde está você que deixou isto acontecer em minha vida? Até mesmo Jesus, em Getsêmani clamou: “meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de sofrimento! Porém que não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres” (Mt 26, 39). Não estará Jesus neste momento aí narrado, vivendo também sua noite escura?

Quem tem fé não deve se assustar com as palavras da beata de Calcutá, mas sim ver a sua obra, uma obra que marcou e marcará a humanidade para sempre, e por que marcará? Porque ela, assim como Jesus, ainda que vivendo suas noites escuras, bem souberam pedir: “seja feita a tua vontade!”. O que cabe a nós reles mortais se não dizer também isto: Jesus, quando minha noite escura vier novamente, oh Senhor me ajude, mas, que seja sempre feita a tua vontade, amém!

Escrito por Prof. Roberto Wagner Nogueira às 19h04



Natal

Uma resposta

  1. […] Uma santa mulher, uma santa verdade, qual seja, a vida dos que têm fé não é uma vida marcada só de certezas, mas também de muita dúvida, marcada por aquele “talvez” que nos fala o Cardeal Ratzinger, atual Papa Bento XVI, em seu livro “Introdução ao Cristianismo” A beleza da fé está justamente aí, na dimensão da entrega total ainda que vivamos em uma “noite escura“.[…]

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