Uma verdadeira Primavera para a Igreja, afirmou João Paulo II. No princípio, foi um pouco conturbado pode até ser verdade, mas hoje já se vê os verdadeiros frutos advindos do Concílio, Tão Maravilhosos, que consideramos uma verdadeira Primavera para a Igreja no dias de hoje e para o terceiro milênio.

40 ANOS DO CONCÍLIO VATICANO II
Artigo – dezembro 2005
O Papa Bento XVI, na sua primeira mensagem aos Cardeais, no fim do Conclave que o elegeu, lembrou a eles e a toda a Igreja uma data importante: “Celebrar-se-á precisamente este ano (2005) o 40º aniversário da conclusão da Assembléia Conciliar (8 de dezembro de 1965)”. E dizia a este respeito: “Desejo afirmar com vigor a vontade decidida de prosseguir no compromisso de atuação do Concílio Vaticano II, no seguimento dos meus Predecessores e em fiel continuidade com a bimilenária tradição da Igreja”. Dizia isto, citando o exemplo do Papa João Paulo II: “Com o Grande Jubileu (a Igreja) foi introduzida no novo milênio levando nas mãos o Evangelho, aplicado ao mundo atual através da autorizada, repetida leitura do Concílio Vaticano II. Justamente o Papa João Paulo II indicou o Concílio como “bússola” com a qual orientar-se no vasto oceano do terceiro milênio (cf. Carta apost. Novo millennio ineunte, 57-58). Também no seu Testamento espiritual ele anotava: “Estou convencido que ainda será concedido às novas gerações haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos concedeu (17.III.2000)”. E concluía o pensamento: “Com o passar dos anos, os Documentos conciliares não perderam atualidade; ao contrário, os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes em relação às novas situações da Igreja e da atual sociedade globalizada”.
Mas o que foi o Concílio Vaticano II, para ouvirmos do Papa Bento XVI as palavras de tanta ênfase?
Foi convocado pelo Papa João XXIII e conduzido até o fim pelo Papa Paulo VI. Iniciou em 11 de outubro de 1962 e terminou em 08 de dezembro de 1965. Surgiu como fruto de uma longa preparação. Já desde o século XIX, o Movimento Litúrgico estava postulando a reforma e o aprofundamento da liturgia. O Papa Pio XII já acenava também para a necessidade de algumas reformas. Os grandes teólogos do século XX, os santos e os apóstolos do século XX apontavam para as rápidas mudanças no mundo, para as conquistas tecnológicas que postulavam a adaptação da Igreja ao mundo atual.
Para caracterizar o espírito do Concílio Vaticano II costuma-se recorrer às duas palavras: “aggiornamento” e “retorno às fontes”.
A palavra italiana “aggiornamento” significa atualização, adaptação da imutável verdade revelada da fé à compreensão do homem dos nossos tempos. Significa a expressão do imutável depósito da fé na linguagem acessível do homem moderno. Significa, ainda, uma abertura aos novos desafios que o momento atual traz.
A expressão “retorno às fontes”, significa a redescoberta das riquezas espirituais, doutrinárias e litúrgicas dos primeiros tempos da Igreja.
Dizia o Papa João XXIII no discurso inaugural do Concílio: “Desde Trento até o Vaticano I, o espírito cristão, católico e apostólico do mundo inteiro, espera um progresso na penetração doutrinal autêntica… Sempre a Igreja se opôs aos erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Nos nossos dias, porém, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia que o da severidade; julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina que condenando erros… A Igreja deseja mostrar-se mãe amorosa de todos, benigna, paciente, cheia de misericórdia e bondade…”
Dias depois, os Padres Conciliares proclamavam na Mensagem à Humanidade: “Procuraremos apresentar aos homens de nosso tempo, íntegra e pura, a verdade de Deus de tal maneira que eles a possam compreender e a ela espontaneamente assentir. Pois somos Pastores…”

O que pretendia ser o Concílio Vaticano II?
Ser um Concílio pastoral – falar da fé com linguagem compreensível e atualizada.
Ser um Concílio doutrinário – no modo atualizado de apresentar a sempre válida doutrina da Igreja, o depósito da fé, da revelação, afirmado pelos Concílios anteriores, especialmente pelo Concílio de Trento. O Concílio tinha uma clara intenção doutrinária. Houve importantes aprofundamentos a respeito da identidade da Igreja. O Papa Paulo VI, no início da terceira sessão, em 14 de setembro de 1964, dizia: “Trata-se de completar a doutrina que o Concílio Vaticano I se propunha enunciar, mas que, sendo interrompido por obstáculos exteriores, não pôde definir senão sua primeira parte… Temos de completar a exposição desta doutrina para explicar pensamento de Cristo sobre sua Igreja”.
Ser um Concílio “ecumênico” – no sentido de envolver todos os bispos do mundo e no sentido de favorecer a unidade dos cristãos.
Quais foram as intenções do Concílio?
Entre outras, procurou evidenciar os valores e as verdades essenciais para a cristandade: o papel central da pessoa de Jesus Cristo na História da Salvação, o caráter litúrgico e comunitário do culto divino, a Igreja como novo Povo de Deus, sentido de fraternidade, o diálogo e co-responsabilidade dentro da Igreja, a colegialidade dos dirigentes da Igreja, a inculturação da fé e a renovação das estruturas da Igreja.
Um dos pontos fortes foi a renovação da liturgia, realizada na trilha de “retorno às fontes”, buscando os sentidos mais amplos e mais profundos do significado do mistério celebrado.
Para muitos, o Concílio Vaticano II é ainda desconhecido. Muitos o aceitaram superficialmente. Há muito por fazer, para que ele se torne realidade. É preciso conhecer e estudar a fundo todos os documentos conciliares, que possuem uma riqueza insondável.
SENTIR COM A IGREJA, hoje, é sentir com o Concílio Vaticano II!
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Dom João Wilk, OFMConv.
Bispo Diocesano
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